terça-feira, 16 de agosto de 2011

Home, sweet home.

E a gente que pensava que para amar, bastava muito mais que um tropeço de olhares e um roçar de lábios ávidos... 
E a gente que sonhava com cavalos brancos, castelos, poesias e insensatos rompantes corrompidos, ausentes de razão... 
Distraídos, caimos em outros caminhos enquanto os gatos do destino se entrelaçavam em nossas pernas e as teias de aranha, produzidas pelos vazios ensimesmados, se iam com a brisa leve da paixão. A queda - de um tanto longa - nos levou a um lugar incomum e escondido, repleto de lírios brancos e outros cantos recheados de pequenas margaridas. 
De fato, no momento em que encontrei seus olhos, eles pareciam - de forma súbita - tão preenchidos de mim que o ar me escapuliu dos meus distraídos pulmões que ansiaram poder respirar teu hálito quente uma vez para todo o sempre, amém. 
E a gente que esperava grandes balões voando no céu e promessas de "felizes para sempre", caímos em um riso manso, num gostar tranquilo e convulsivo que, trôpego, corria em direção um ao outro, deixando de lado a razão, os cisnes, as fadas e a fantasia. 
E a gente que esperava um grande pôr do sol e um casamento glorioso, nos demos as mãos e saímos a caminhar num mundo nosso, com cores que apenas você e eu saberiamos nomear. 
E a gente que pensava num mundo novo, olhamos para tudo e sorrimos sozinhos enquanto meus lábios desenhavam minha vida nos teus, enquanto meu coração se acomodava, manso, em ti, certo de que finalmente encontrara o nosso lar, doce lar. 


foto: Once Wed.

domingo, 14 de agosto de 2011

O velho e o moço (de mim)


(enquanto ela não podia ver o mar, levei o mar para ela) 
*
Ora, se não sou eu
Quem mais vai decidir
O que é bom pra mim?
Dispenso a previsão!
Ah, se o que eu sou
É também o que eu escolhi ser
Aceito a condição
Vou levando assim
Que o acaso é amigo
Do meu coração
Quando fala comigo,
Quando eu sei ouvir...
(O velho e o moço - Los Hermanos)
*
Existem certos encontros na vida que por um bobo receio tentamos desviar. Existem momentos que a certeza do terminar nos impede de fugir no primeiro voo para longe. Assim foi o meu destino nessa sexta-sabado. Os olhos turvos não representam em si o todo, meu completo recordar me atualiza de mim e diz: "é tempo de futuro, mulher". Quero a paz da minha cadeira, as raizes e folhas da minha arvore e a minha vida que eu escrevo quando me olho em mim e me permito cair em queda livre no abismo que magoa e, ao mesmo tempo, reconstroi. Um brinde ao que fazemos de nós a cada dia e aos sonhos que construimos ao ajudar (também) a reconstruir a dor do outro. 

domingo, 7 de agosto de 2011

Reflexos de domingo.


Little darling
The smiles returning to the faces
Little darling
It seems like years since it's been here
Here comes the sun
Here comes the sun
And I say
It's all right


Com sorte, o sol que brilhava em sua varanda permaneceria, aquecendo suas roupas no varal, retirando o cheiro de chuva da casa, levando com ele uma gama de sutis distrações semanais e desesperadamente não esperadas.
Em razão das bençãos dos deuses, haveriam roupas a lavar, almoço a preparar e visitas a fazer. Quem sabe até uma pitada de sossego e uma generosa fatia de bolo de chocolate. Ela ainda não sabia.
E enquanto o olhava dormir, apenas agradecia em silêncio. Com sorte, a sorte de viver ao seu lado se prolongaria, mesmo depois que o sol se despedisse, mesmo depois que as rugas tomasse os cantos distraídos do seu rosto. 

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Faz algum tempo, ja nem me recordo quanto. Meus olhos se desviavam do obvio e o mundo se configurava um tanto quanto excessivamente turvo. Faz algum tempo e a miopia se abandonou de mim, mas restou aquele vago sentimento tropego de luta vencida e derrota eminente. Sábios os que sabem reconhecer o fim de uma guerra, cotidianamente outras tantas precisam continuar e enquanto o quebra-cabeça derrete aos poucos, fecho os olhos e peço um pouco de mim. Estou cansada de guerras em tempos tao repletos de assombros.

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

sexta-feira, 29 de julho de 2011

.

Faz tempo que não tenho a sensação de ter sido nocauteada pela vida. E eu que pensava que nunca mais...

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Reflexo(s).



Vez ou outra,
invariavelmente,
imagem e reflexo se confundem
talvez não por mera transparência.

(dias sem tempo de olhar no espelho, procurar bem fundo, escrever ou entregar-se ao tédio... saudade indecisa se sim ou não. seguimos...)



Foto.

domingo, 24 de julho de 2011

Os bons morrem jovens...

Depois de todo o movimento espetacular por conta da morte de Amy, encontrei alguns comentários questionando esse alvoroço que se faz quando um famoso morre. Não me esqueço de Michael Jackson.
Então estava lembrando das minhas aulas sobre literatura brasileira, especialmente sobre o Romantismo. Foi um período de grande subjetividade e marcado pela morte dos poetas por conta da tuberculose. Castro Alves, Álvares de Azevedo e Casimiro de Abreu são exemplos clássicos desta epoca e deste "fim". Não me recordo se eram sobre eles, mas a grande discussão nestas aulas era que a forma como eles viviam, levaram o desenvolvimento da doença. Eram boemios, gostavam de retratar o sofrimento humano e pareciam não se encaixar na "sociedade comum". De posse de toda a sinceridade: a morte deles foi uma surpresa? 
Ontem estavam coversando com meu primo torto e ele me falou sobre os músicos que morreram aos 27 anos. Não que eu seja uma abrute comemorando as mortes alheias, mas criei uma singela teoria (que não foi cientificamente comprovada e que não sei se alguém já inventou também) que algumas pessoas consideradas portadoras de doenças mentais são donas de uma inteligência marcante e não se adaptam ao mundo. 
No caso de cantores e poetas, eles possuem uma forma fantástica de ver e viver o mundo e muitas vezes se deixam consumir por conta dessa vivência "no talo". Amy Winehouse é a bola da vez. Uma mulher fantástica, com uma voz linda e uma trajetória marcada por drogas e confusões. 
As vezes acho que certas pessoas com passagens meteóricas pelo mundo deixam legados dignos de sábios centenários e partem, simplesmente por não conseguir encontrar-se, por não conseguir se ver fazendo parte dessa sociedade dita "liberal", mas que massacra e julga com perseguições sensacionalustas os não adaptados ao grande sistema. É um fato: ao mesmo tempo que a mídia os transforma em reis por sua arte, os enquandram como anormais por suas condutas. 
Descanse em paz, Amy. 

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Salve, Jorge!

Jorge sentou praça na cavalaria
e eu estou feliz porque eu também sou da sua companhia

Eu estou vestido com as roupas e as armas de Jorge
Para que meus inimigos tenham pés e não me alcancem
Para que meus inimigos tenham mãos e não me toquem
Para que meus inimigos tenham olhos e não me vejam
E nem mesmo em pensamento
eles possam ter para me fazeram mal


Para aqueles dias que o meu silêncio fala mais do que minhas palavras, me calo no singelo aconchego de apenas um sentimento: há de se saber compreender o rumo dos dias. Porque mesmo aquelas criaturas mais fortalecidas (como se usassem as roupas e as armas de jorge), encontram o seu dia de descanso.

quarta-feira, 20 de julho de 2011

20 de julho.

Meio esquisito esse troço de ter um dia dedicado a amizade, não? Mais esquisito ainda seria se eu usasse aquele velho ditado "mas dia do amigo é todo dia!". Dias comemorativos são como aqueles trechos grifados em um texto bem escrito, sabemos que existe, mas tem algom, dentro do todo, que merece um pouco mais de atenção. Então, neste dia, enquanto ainda me recupero da minha dengue, me peguei pensando sobre tal dia.
Hoje pensei muito sobre as amizades que foram, as que estão, as que ficam mesmo com os anos, as que por diversos motivos não vingaram, enfim... sente a vibe "tunel do tempo melancolico"? Pois é, as vezes acontece nas melhores familiares. Mas é meio bobo dizer isso em voz alta (ou em texto expresso, neste caso) mas, para todos aqueles que são, foram ou serão, de alguma forma, marcantes em minha vida, feliz dia do amigo. Para quem acha tudo isso bobagem, feliz dia do amigo e pra quem nem sabia que hoje era esse dia, feliz dia do amigo. Enfim, ultimamente tenho entendido uma coisa, dentre muitas: não se importar muito o que será, vamos aproveitar o que se tem. Por isso, coletivamente e individualmente desejo um abraço apertado a todos os meus queridos. Obrigada pela existência! Ter vocês é bom demais!

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Dengue ou Dengo: eis a questão!

Dengue é a enfermidade causada pelo vírus da dengue, um arbovírus da família Flaviviridae, gênero Flavivírus, que inclui quatro tipos imunológicos: DEN-1, DEN-2, DEN-3 e DEN-4.[1] A infecção por um deles dá proteção permanente para o mesmo sorotipo e imunidade parcial e temporária contra os outros três.

Dengo
Classificação morfossintática:
- [dengo] substantivo masc singular .
Sinônimos: mimo .

Dengo soa muito melhor, né? 

Infelizmente a dengue foi mais rápida no gatilho!
 

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Das coisas mais.

E você vivia pensando naquelas tediosas obrigações adultas, contas a pagar, horários a cumprir, clientes, salário, chefes, estresse, transito. E você vivia exausto daquele dia-a-dia comum e violentamente rápido em que as folhas de calendário se consumiam tanto quanto seus pés doloridos. Pois é, você vivia pensando ser adulto, com aquele olhar de sabe tudo e o nariz empinado de um quase-expert-do-mundo-todo.
Não, não me atrai. E eis que surge um fim de semana, umas madrugadas a dentro, barrigas contorcidas de risadas e um carinho evidente. Amor é o nome, cheio de recheio. E entre o soprar de velinhas, o bolo de paçoca e um ou outro beijinho, você sorri e o mundo se transforma. Danem-se os outros, o que importa é isso aqui. Meu universo particular, meu mais.
E por fim, no fim do fim realmente, a gente entende que amor bom é aquele que nasce devagarzinho e vem, com cautela, pedindo licença, sem surtos. O amor vem e se aconchega e você o abraça, sorri. Ele adentra o seu universo e fica mais velhinho, mais carinhoso, mais, muito mais.

segunda-feira, 4 de julho de 2011

É amor!

E voce pensou que o amor nao era capaz de modificar tudo?
Curiosamente ele bateu em sua porta e sorriu, mesmo com o mau tempo e a previsao de tempestades! Voce sorriu e o recebeu bem, sem saber exatamente quem ele era, serviu um café com sequilhos e se sentou, conversando amenidades. Pois e, é amor e voce sorriu. Mas ele se foi e voce ficou. Curiosamente algo se modificou e, de certa forma, ele tambem ficou com voce. E riu, em tom de deboche, enquanto voce fingia ainda nao acreditar.

domingo, 3 de julho de 2011

Bahea!

Todos os programados, se desprogamam por mero acaso. E eu vou levando. Internet fora do ar, mil aquisições, momentos inusitados e um tempo meio chuvoso, meio ensolarado. Feriado tem um quê de tempo longo, principalmente quando você se acostuma e sábado se torna sinônimo de trabalho. Um viva a independência. Viva a(o) Bahêa!

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Do coração pequenino.


Imagine quatro horas filtrando um sangue para continuar vivendo. Imaginou? Imagine receber a notícia de que o seu rim parou de funcionar e você precisa de dialise. Imaginou? Agora imagine que suas veias não suportem mais a hemodialise e você precise de um transplante renal ou então... Você sabe o que acontece. Por fim, imagine que, após o transplante, o rim que você recebeu não funcione e você volte para a hemodialise. Imaginou? Pois é, para aproximandamente 50 mil brasileiros está é uma realidade e não apenas imaginação. 
Quatro horas em uma máquina, três vezes por semana, dieta restrita, ingestão controlada de liquido, mil riscos e um punhado de limitações. Sem falar nas marcas causadas por cateteres, fistula, tombros, e tudo o que envolve a imagem corporal. Some a isso a restrição de atividades laborais, as mudanças sociais, as doenças associadas e por aí vai. Para aproximadamente 50 mil brasileiros está é uma realidade. 
Uma realidade difícil, é um fato. E todos os dias, trabalhar com esses seres humanos me desperta para milhões de novos questionamentos. 
Porque eu estou falando disso? Porque não é fácil viver essa realidade mesmo quando você está "protegido" por um jaleco. Quando você trabalha há dois anos com os mesmos pacientes, conhece as historias deles e constroem um vinculo, é difícil pensar em perdê-los. E aceito, a morte faz parte da vida. Mas não deixa de ser difícil. Porque, acredite, não é fácil. 
Por outro lado, como disse outro dia, não há salário que pague um sorriso, um abraço, um alento, um alívio, um encontro... Não há dinheiro no mundo que pague todas as boas energias que recebi dos meus pacientes,  muito menos a satisfação de desempenhar bem o meu trabalho, compartilhando todo esse cotidiano difícil. 
Não se espante, quando se entra em uma sala de hemodiálise não se encontra apenas a gravidade e a cronicidade de um adoecer, também se encontra os sorrisos, as brincadeiras, as conversas, as trocas e a alegria por estar vivo. 
Ser renal crônico não é simples, não é fácil e em determinados períodos vivenciar essa realidade dos pacientes se torna ainda mais duro, o coração fica pequenino. Porque alguns logo partem. E aqui na Terra, ficam seus sorrisos e a graciosidade em superar os mais dificeis desafios. 

domingo, 26 de junho de 2011

Todo são joão tem seu fim...


Como costumo dizer, essa - sem dúvida - é a melhor epoca do ano. E não porque eu sou do interior e tenho casa, comida e roupa lavada em uma das melhores cidades para curtir o são joão, mas porque - sem sombra de duvidas - tenho os melhores momentos juninos que poderia imaginar. Porque tudo começa e termina na minha varanda, todo licor de chocolate é permitido mesmo com tratamento, todos os comentários são válidos e as pessoas desfilam na festa buscando identidade, logo... o que sobra para nós? reconhecê-los enquanto seres humanos!
Nesse momento, as BRs ainda estão lotadas e as pessoas odeiam o fato do são joão ter chegado ao fim, mas tudo que é bom um dia acaba. E se a gente aprende que insistir em algo que já terminou é surreal, entende também que chega uma hora que as fogueiras têm que se apagar, as bandeirolas param de sacudir e as melhores delícias da culinaria junina terminam. O melhor é saber que ano que vem tem mais! E enquanto o feriadão não volta, fico aqui contando minhas gargalhadas, com saudades das minhas melhores companhias, dos comentários, das diversões, das delícias e do bom humos junino.
E no fim a gente entende que não importa a pista ou o camarote do arraía do cerveja, não importa de que ponto vimos Jau, ou cifras, meu bem. No fim, o que vale é o valor das gargalhadas, das brincadeiras com "traque" e dos meus melhores companheiros (alguns que, assim como o são joão, deixam saudade quando eu volto para a capital).
São João 2012 tem mais.

domingo, 19 de junho de 2011

Contagem regressiva.


Como não só de amor vive a humanidade, inicio minhas homenagens a melhor epóca do ano. São João para as minhocas do interior é como o Carnaval para os soterapolitanos. Logo, meu ano só começa em Julho!

sexta-feira, 17 de junho de 2011

All my loving... para esquentar a sexta feira.

Close your eyes and I'll kiss you
Tomorrow I'll miss you
Remember I'll always be true
And then while I'm away
I'll write home everyday
And I'll send all my loving to you

terça-feira, 14 de junho de 2011

Não sou um livro de auto ajuda barato.

As vezes acho que tenho imagem de "livro barato de auto-ajuda". Explico: eu insisto em dizer "coloque-se no lugar dos outros", "pense na sua parcela de responsabilidade", "faça o bem" e por aí vai. Então? Não parece simples? Não. Não é.
E quando recordo os cinco anos de graduação, quase dois de pós-graduação, dois de formação clinica, livros, seminarios, palestras, cursos, supervisao e tudo o mais que me aconteceu até a presente data, eu não me confundo:. Não sou um livro barato de auto-ajuda. Fato: odeio que me rotulem. Por isso insisto: psicologo não bate papo, não dá conselhos, não tem todas as respostas, não mantem a calma sempre, não está sempre do lado do paciente e decididamente: nós não trabalhamos pouco. Claro que levando em conta o contexto hospitalar (no qual trabalho), não examino, troco curativo, prescrevo, decido conduta, ou qualquer ação de qualquer profissional de saúde, mas me irrito profundamente com quem diz: você trabalha pouco. Fato: nós não trabalhamos pouco. E porque isso me incomoda? Porque é recorrente e chato. Qual minha parcela de culpa nisso enquanto profissional? Tenho o dever de informar melhor às pessoas sobre o meu trabalho e sim, concordo, tudo isso é muito da falta de informação. Mas, particularmente imagine o que é ouvir as maiores dores das pessoas, dar suporte, acolher a dor, acompanhá-las para se despedir de um parente que faleceu, ouvir, ouvir, ouvir, falar, falar, falar. Não, não reclamo, amo o que eu faço. Mas o meu trabalho é subjetivo e não estou aqui para concorrer por quem se desgasta mais.
E as vezes, quando me recordo que não sou um livro de auto ajuda barato questiono: será que é por falta ou por excesso que percebem sua presença? Atualmente, prefiro pecar pelo excesso. Enquanto isso, repito: "coloque-se no lugar dos outros", "pense na sua parcela de responsabilidade", "faça o bem". Muito melhor do que desamor. Não? 
(Há de haver os que insistem nos rotulos. Paciência. Psicologo também não convence ninguém de nada. Sabia?)

domingo, 12 de junho de 2011

O que ainda não é.


Fato: Hoje é o dia dos namorados. 
Milhões de pessoas estão falando e comentando (lamentando, maldizendo, comemorando, odiando, amando) a data. Eis que sou mais uma na multidão. 

A campanha “do amor” hoje vai especialmente para o que ainda não é.

 Um feliz dia dos namorados aos amores que ainda serão descobertos e aos olhares bobos, mãos entrelaçadas e corações saltitantes que ainda surgirão por aí. E como diz o tão falado Gabito Nunes: “Os amores mais bonitos são aqueles que nunca foram usados.”
foto:  Max Wanger

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Little darling
It feels like years since it's been here
Here comes the sun
Here comes the sun
And I say
It's all right



 
Há na vida aquela sempre alternativa em ficar, ir, correr, partir, permanecer, desligar-se, eletrizar-se... até finalmente encontrar-se. Here comes the sun and I say It's all right.

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Eduardo e Mônica.


Mais uma "do amor".

Das coisas mais lindas.

Sinusite é sinônimo de incômodo permanente e total falta de paciência com tudo porque sua cabeça inteira dói (incluindo cada minimo pedaço dela) e o corpo também entra na dança. Mas depois de 10 horas de trabalho, uma carta e um cd especial da dj neechee fazem seu coração se encher de alegria (e os olhos, daquelas lágrimas cheias de saudade).

terça-feira, 31 de maio de 2011

Não ter vergonha de ser quem você é, muda tudo na sua vida.

"Eu acho que a partir do momento que eu escondo, eu tambem ajudo a manter o preconceito porque eu trato como se não fosse normal aquilo que eu estou passando".


 

Ultimamente venho pensando muito sobre o amor. E isso me leva a outro assunto, o fato de aceitar as pessoas como elas são. Não consigo compreender o mundo e essa dita "liberdade de expressão" quando as pessoas estão sendo atacadas na rua por ter uma orientação sexual diferente ou por conta do seu sotaque. Não sou do grupo que desacredita na humanidade e todos os dias, no meu trabalho, no meu cotidiano e nos dias tenho provas que sim, ainda podemos acreditar num mundo melhor. Isso inclui o fato de aceitar quem se é e o que os outros são.
Não quero parecer política, mas a psicologia e o construcionismo social têm me permitido pensar em muitas coisas e é muito reconfortante encontrar uma teoria (dita científica) que acredita na idéia de que tudo que os seres humanos tacham como verdades absolutas são meras construções sociais. Não desqualifico o que se fez até hoje, mas gosto de pensar que as idéias que nos são incutidas dia a dia são fruto da sociedade em que vivemos. Exemplo: Em alguns paises, a vaca é sagrada, aqui, sua carne é alimento. É uma diferença cultural, não realidade única.
Por acaso encontrei esse video na internet e ele me fez pensar ainda mais.

Se é fácil rir porque um cara é "bichinha", ouça o que eles e elas dizem e imagine viver dessa forma. E imagine se você gostaria de se sentir assim, "errado".

"Começou aí a maior luta que eu já travei na minha vida com alguma coisa que era 'não, eu não sou, eu não quero, se eu não quiser com muita força, não vai rolar"

"Eu tinha medo de ser julgada por deus e pela minha mãe, pelo meu pai..."

"Ser homessexual é uma coisa que você é ensinado desde criança que é a pior coisa que pode te acontecer. Todo dia eu chegava no colégio e eu sabia que eu ia passar por uma tortura psicológica. Todo dia as pessoas me olhavam, falavam e me xingavam".  

 

Não quero converter, nem poblematizar, mas algo minha mãe me ensinou muito bem: respeito às diferenças é essencial e humano. Nesses tempos de pós-modernidade, é difícil entender que enquanto uns tentam construir seu espaço no mundo, outros tentam taxá-los como "anormais" e insistem em definí-los como esquisitos apenas porque... mas porque mesmo?

"Eu queria muito que alguém tivesse chegado naquele momento e dito 'Tudo bem, André, vai dar certo. Você pode escolher o que você quiser'". 

Acho incrivel que o mundo ande avançando e mude, ainda há muito trabalho pela frente, mas tais coisas me fazem acreditar que ainda tem jeito.

;)

"Acho que as pessoas podiam se preocupar muito mais em fazer o bem para a humanidade, estar feliz e ajudar o próximo do que tentar fazer um esforço de coesão para que todo mundo siga preceitos religiosos ou sociais ou alguma coisa estabelecida".

Admirável mundo novo.

Indefinição de gênero é um problema
 
Para Lea T, todo transexual enfrenta o dilema da indefinição de gênero. “É uma questão de identidade. Isso é um problema porque você não vive bem com o seu lado masculino, por isso tenta se voltar para o feminino. Tem que estudar muito, fazer muita terapia. Nós não nos aceitamos como somos embora saibamos no fundo que é só corpo. A esperança é que um dia não exista mais o homem e a mulher, só o ser”, afirma Lea

G1



Fashion Rio 
 
Nas temporadas de primavera-verão, a passarela do Fashion Rio costuma ser tomada por modelos de corpos sarados, peles bronzeadas e cabelões esvoaçantes vestindo os biquínis e as sungas que chegarão às praias no próximo ano. Na edição do verão 2012, que começa nesta segunda-feira (30), eles ainda estarão lá. Mas o público também verá um novo conceito de beleza em alta no mundo da moda: o da androginia.  G1 

Casal canadense decide criar bebê sem definir o sexo

"Se você quer realmente conhecer alguém, não pergunte o que há entre as suas pernas", disse David ao jornal "Star".  A todos que perguntam o sexo do bebê, os pais dizem que ele não será informado e se defendem: "A decisão é uma homenagem à liberdade em vez da limitação".   o Globo. 



Os paradigmas estão mudando, resta saber quando vão perceber... 

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Ler Gabito Nunes só reforça a minha atual guerra contra o desamor:

"Se o amor não é uma cartela com pequenas drágeas de paz, então não existe"

"Nesta hora ninguém lembra que pessoas confundem paixão com doença, sexo com moeda, mentiras com verdades e alhos com bugalhos. Pelo contrário, nos damos conta que um dia também queremos alguém nos esperando no saguão de desembarque com as mãos trêmulas, sedentas por acalentar o espírito com um cheiro no rosto. E que,
mesmo diante da degeneração perversa do planeta, 
amar ainda interessa mais". 


foto: max wanger

sábado, 28 de maio de 2011

Do amor.



- e o que você faria se a pessoa que você amasse se fosse? 
- você acaba se acostumando. 

(...)

não sei se o mundo nasceu um pouco esquisito ou se fui eu. não sei se sou eu que vejo de outro modo ou o mundo que não repara. não importa. apenas acredito imensamente que não, é impossível não viver o amor. e não adianta tentar me convencer com comentários repletos de poucas justificativas, não me convence esse papo de "não me envolvo". não! me perdoem, acho uma tremenda bobagem, uma desculpa ou pior, medo. medo de sorrir como um(a) bobo(a) quando o telefone toca e você estava pensando nele(a) ou medo de receber um abraço que te faz desejar permanecer enquanto define o sublime significado de "paraiso".
esqueça as traições, mentiras, desculpas e enrrolações. lembre dos beijos, abraços, amassos e todos os segredinhos e carinhos que os rodeam. como não valeria a pena?
sou uma daquelas torcedoras fanáticas de romances, adoro pieguices e abraços e carinhos e beijinhos sem ter fim. e repito, não acredito em quem afirma categoricamente que amor é coisa vencida. não importa o tipo de amor que se tem. se é amor, vale a pena dar a cara pra bater, descer do salto, desconhecer-se, embriagar-se, permitir. amor não é verdade absoluta, fórmula mágica ou solução de problemas, e por outro lado, acostumar-se com a ausência massacrante do amor é como viver sem querer muito, sem desejar um dia quente na praia ou um cobertor em um dia frio. porque se viver é exclusivamente aprender a ser só, preciso de outra vida. porque nessa, desaprendi.

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Décadas.

Eu fiz uma prece pequenininha
Que dizia "fé, força e coragem"
Era só o que pedia.

Então a coloquei em uma garrafa
E ela navegou por longos e longos mares
Enfrentou milhões de ressacas

Eu fiz uma prece e ela cresceu
Apareceu
Sobreviveu

Eu fiz uma prece e
Finalmente a garrafa aportou em terra firme.

Amém.

domingo, 22 de maio de 2011

Dó de quem não existe

"Dó eu tenho de quem pensa que existir é ter cadastro de pessoa física".

Gabito Nunes - O tudo que sobrou.

domingo, 15 de maio de 2011

do coração!


ainda lembro do primeiro dia que - morrendo de medo de derrubá-la - a segurei no meu colo, pequeninha. ainda lembro as festas de aniversários que eu organizava como se fosse a própria promotora de eventos, e as brigas que tinhamos por qualquer bobagem, ou as casas de boneca que fazia para ela brincar e das horas fazendo dever da escola. ainda lembro daquele sentimento de irmã, mesmo que a gente não tivesse o mesmo sangue e do carinho enorme que tenho por ela e por minha mãe emprestada.
Hoje, mesmo que ela esteja maior do que eu, continua sendo minha irmãzinha do coração! parabéns :)

terça-feira, 10 de maio de 2011

utópica surpresa paulistana.

nunca fui contra o fato de que um dia ela iria embora, iria para longe, para aquela capital esquisita da qual sempre sonhou fazer parte. sempre acreditei que um dia ela iria e nunca esqueço o momento em que estava no trabalho e ela ligou: "eu vou".

era mais fácil quando eu apenas desejava que ela fosse, porque sabia o quanto aquilo a faria feliz.

então a gente aprendeu uma boa forma de lidar com tudo isso e resistir a saudade, eu vou quando posso, ela aparece quando dá, mas sempre fica faltando um pedaço. principalmente quando eu vou pra saj nas datas comemorativas e Nil sempre espicha o olho quando o carro pára na garagem e volta e meia diz: "eu achei que Nana vinha de surpresa".


eu sei, a vida tem dessas coisas. mas tem dias que sinômino de saudade é mais chato do que sempre.

sexta-feira, 6 de maio de 2011

É,


É, você vivia falando e eu fingia que não dava bola aos seus sutis conselhos. Você vivia a falar e falar comigo enquanto meus ouvidos te ouviam e minha boca cantarolava qualquer melodia fingindo desdém. Você se exasperava, me segurava pelos ombros e me fazia olhar nos seus olhos, derramando em mim todo aquele caloroso e aconchegante amor que você chamava “nosso” e eu, mesmo com o coração aos pulos, fingia achar graça do seu sensível desespero, como se o amor fosse um quase nada em mim. Aquele nosso amor, como você dizia. 
Então eu te via descer as escadas enquanto a batida da porta ainda vibrava por toda a casa enquanto protegia os ouvidos das suas firmes e absolutas palavras difíceis de ouvir. E por isso, bastavam cinco conômetrados segundos para meu corpo se levantar enquanto meu eu insistia a interpretar o papel de desamor daquele ato. Da mesma forma, seus passos se atraiam aos meus e nos encontrávamos na escada, sem fôlego, unidos ao nosso jeito.
É, você vivia falando e eu fingia que ingonarava todos os seus dizeres, mas quando a porta se fecha, surge aquele medo infantil de não te ver voltar. Por isso, sempre volto atrás e corro até você para novamente me refestelar nesse amor nosso, meio bobo, meio imaturo, meio torto e todo. Nosso. É, você vivia falando...

quinta-feira, 5 de maio de 2011

nove (+) cinco(s)


hoje: cinco x nove = dois.

"você falou pra eu não me preocupar
ter fé e ver coragem no amor..."

domingo, 1 de maio de 2011

diário de bordo.

primeiro foi o café. e então, ela que não suportava o gosto forte e o efeito da cafeina se rendeu aos encantos do grão, preferindo não um expresso, mas um capuccino. certa de que aquela era apenas uma manobra cotidiana para não se render ao cansaço dos dias. 
depois veio a clínica e aquela sensação esquisita ao ver seu nome impresso em um cartão de visitas. agora não havia mais como voltar atrás. ou era ou era. ponto final.
em seguida, apareceu a máquina de lavar e magia de roupas limpas sem esforço e dedos carcomidos. elas deixariam de viajar sujas e voltar limpas, agora tinha endereço próprio: uma brastemp 8 kg de alto padrão. 
e aí floresceu a idéia de fazer sua própria comida e congelar suas vasilhas. tentar fazer um feijão e deixá-lo salgado e queimado foi sua primeira experiência, não tão mágica quanto um rápido macarrão em quinze minutos. 
e de tudo isso, permaneceu aquele receio infantil e um desejo ainda tanto novo, ainda tanto estranho de olhar para o que se tinha e sorrir. mesmo que o feijão queimasse e a roupa não secasse, ela enfim, seria. 

quinta-feira, 28 de abril de 2011

estações

 
pois é, faz tempo. curioso não lembrar de contar as primaveras. pois é, fazia sol e era dia. ainda era uma criança feliz e um sentimento de grande cobiça. como um algodão doce dissolvendo bem lentamente na boca. como a açucar se transformando de saliva em saliva.
faz tempo, hoje o sol sorriu timidamente e quase não deu as caras por aqui, mas ainda sim fez-se o dia. não, não é um consolo triste viver com a chuva do tempo, mas sim um descanso para a pele.
pois é, faz um grande tempo e de tempos em tempos me lembro de contar os outonos e brindar os verões. é, eu sei, nem comento, as primaveras deram flores e o outono, seus frutos, mas você não percebeu ou fingiu que não acreditou no sabor adocicado daqueles vivos morangos? pois bem, o sol raiou e se foi, a chuva tomou a cidade e lavou os calçadões e você, distraído, fingiu que vivia a viver a vida.
pois é, faz um tempo e as estações se renovam outra vez. após a chuva, o que vem? faz tempo, mas ainda há. procure o senhor do tempo, ele certamente responderia. 

sexta-feira, 22 de abril de 2011

reflexos de intimidade.

poderia ter sido em qualquer lugar, qualquer dia, qualquer esquina, qualquer acaso, mas não. foi assim, ali, no meio de uma intimidade construída com os fios dos anos, no meio de uma taquicardia de risadas compassadas, entre uma e outra história, um comentário, uma ideia fixa, uma sensação descabida. e então, hábitos de anos se despedaçaram com o simples desatar de nós. segredos não ditos assim revelados com a tranquilidade de quem sabe o alicerce de toda aquela fundação. e então, de suspiro em suspiro um alívio toma o peito enquanto velhos sentimentos se derramam, satisfeitos com a liberdade.

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Uma lindeza pra começar a semana.




Eu sempre tento virar a página sem grifar as partes importantes com alguma caneta de cor alarmante. Mesmo num amor de linhas tortas como o nosso, o fim parece um erro, como um ponto final no meio da frase. 

Caras como eu. 

sábado, 16 de abril de 2011

meu presente mais lindo.

"Little darling / It feels like years since it's been here / Here comes the sun / Here comes the sun / And I say / It's all right"
 Presente dela que morro de saudade :)

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Aquele abraço.


Pode parecer meio bobo, meio torto, sem porquê, sem pra que. Mas pode ser sim, na verdade, bem real, nosso, mundano. Nada mais do que aquela sensação gostosa de sol queimando a pele em dia fresco, pés tocando a areia da praia e sussuros do mar. Apenas. Simples.

domingo, 10 de abril de 2011

Domingo, dez de abril de dois mil e onze.

Ainda estou no meio do mar, ainda navegando rumo ao destino final, ansiando o grito de “Terra à vista!”. Faz muitos dias, desisti de interrogar calendários, apenas rabisco vez ou outra algumas memórias para que o marasmo não me destrua as lembranças. Já me acostumei com o balanço do mar, acho que terei dificuldades em manter o equilíbrio em terra firme. No entanto, a terra firme não me parece tão firme assim. Tsunamis, tempestades, atentados, tentativas de paz seladas com guerra, inocentes mortos, homens invadindo escolas e atirando em crianças buscando não se sabe o que, mais inocentes morrendo, sangue escorrendo por todos os lados. Ainda é difícil perceber que a terra firme anda um tanto trêmula e enquanto o barco continua no seu vai e vem sem fim, me abasteço com o sal da água e atualizo páginas repletas de “www” a fim de entender o que exatamente acontece do outro lado, nos continentes. Aqui no mar tudo continua como antes, acordo cedo, rego minhas plantas, preparo meu café, arrumo meus pratos, trabalho no convés e remo meu tédio enquanto o barco dança ao sabor do vento. Sinto saudades tuas, daqueles momentos em que rodávamos de mãos dadas e olhos fechados sentindo o zumbido da vida nos nossos ouvidos e nossas risadas se entrelaçavam intimamente. É, parece que foi ontem e sei, ando um tanto saudosista, mas é que o vai e vem do mar anda desenterrando lembranças. Outro dia me recordei daquele velho que morava na nossa rua e de um dia para o outro desapareceu. Não sei, ainda sinto saudades dele e de suas meias de bolinhas. Faz tempo. Tanto que não sei. E sinto saudades tuas aqui nesse mar. E lhe escrevo para não me perder no tempo dos dias e sinto isso aqui, olhando em frente. É como se o horizonte representasse a nossa distância e não há previsão de terra firme. O salgado da brisa toca meus lábios e eu recordo do velho, nós girando e um passado antigo. Estou no meio do mar, partindo para o horizonte, distante de você, cada vez mais entregue ao vai e vem, ainda um tanto surpresa com os últimos acontecimentos, acalentada pela brisa fresca, remando meu tédio, trabalhando aqui e ali, construindo lembranças e desenterrando outras tantas. Sigo em frente, um dia finalmente aporto em outro canto. Sinto saudades tuas, você sabe. Mas não lembro mais há quanto tempo. Sei - apenas - que sim, parti.

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Espinhos do Tempo


Olá! Falta pouco para os 25 agora, alguns dias e mais um ano se completa. Assim, deve fazer um pouco mais da metade da vida que eu guardo a sete chaves um desejo tão forte que o tempo não entra em sua fortaleza. Não importa a intempérie, ele apenas se mantém ali, firme e forte, sem arredar o pé. Pois é, você deve me achar a mais tola das pessoas e por vezes, eu também me classifico como uma dessas criaturas. Mas existe um pouco daqueles olhos de esperança que aguardam ainda, ali, sentada, quieta e comportada toda uma série de acontecimentos. Não, nada muito espetacular. Apenas uma mesa posta, o jantar servido, suco fresco, conversas bobas e risadas cadenciadas. Ainda sinto falta de algo que o vazio apaga com os dias e ainda anseio por uma realidade que um dia sequer existiu. Mas, aqui, no meu canto, o coração se permite guardar a sete chaves um desejo que sua ira faz escorrer lentamente e o passar dos anos apenas prova que é melhor deixar de ser uma tola à espera e tentar ser alguém melhor a cada dia. Eu só queria que você soubesse que não é fácil e o sol me dói as vistas da mesma forma como os espinhos machucam meus dedos que procuram apenas a melhor forma de se aproximar. Infelizmente, após metade da minha vida (e um quarto da sua) vivendo esse mesmo enredo com leves toques de novidade, nossos espinhos se tornaram mais duros do que aquela facilidade que você tinha para me fazer sorrir. Pois é, eu sei, não é fácil. E hoje é mais um daqueles dias que, por mais que eu tente, um dos espinhos que você atirou se agarrou à minha pele, trazendo com ele antigas dores. Não sei se você quer mesmo saber, mas ainda guardo o meu segredo a sete chaves e meu lado não-tolo sabe, nunca será verdade. Mesmo assim, aquele lado outro ainda suspira e aguarda. Talvez um dia o segredo se despeça, mas quero apenas que você entenda: Será o melhor para todos nós.

quarta-feira, 30 de março de 2011

Fina Estampa.


Não, me desculpe, querido, mas hoje não conseguiria olhar para você com aqueles olhos vazios e inexpressivos e me vestir de branco em sua homenagem. Muito menos conseguiria cavar bem aqui de dentro aquela tola maneira de sorrir, de me portar e manter as mãos sobre o colo enquanto bebo chá quente e como biscoito francês trazido não sei de onde, por não sei quem, artigo de luxo da melhor confeitaria de todas.

Não, me desculpe. Meus olhos vazios se cansaram de bater para você e suspirar com saudade das gotas de chuva a cair, do contato dos meus pés na grama fresca e orvalhada de manhãzinha. Minhas mãos não se contentam com o colo, desejam sentir a vida com aquela força absurda, com aquele sabor adocicado de primavera. Minhas mãos querem as horas e os relógios, mesmo que seja apenas para ouvir seu tic tac.

Enquanto meus olhos querem a chuva e a grama e minhas mãos anseiam pelo tic tac, meus pés se cansam mudos e saem à francesa, desapercebidos, buscando apenas aquela suave rua íngreme em que se escondem todos os prazeres, aqueles aos quais minha alma anseia e a vida posterga. Todo o meu eu não deseja nada mais do que dar adeus aos conteúdos tolos.

Por isso, me desculpe. Existe uma lógica em seguir os dias e a minha não é essa e o meu casaco não precisa necessariamente combinar com o meu tamanco, muito menos com minhas unhas. Acharia você que seria possível um dia pintá-las de vermelho? Pois bem, é isso. Não há. Ledo engano. Lhe rendo a minha paciência.

Apenas arrumo as malas e me despeço. É importante registrar: despeço-me (mais uma vez, eu sei), mas sem sair do meu canto, ainda cuido do meu gato. E então, vez por outra, hora dessas, talvez acerte na loteria e enfim, arrume uma nova questão.

Haverá um pouco de sorte e um tanto de prazer em cada gota de ação na vida e agora, é claro, existe nada mais do que olhos ansiando chuva, mãos cutucando vida e pés a caminhar por uma viela íngreme de outros daqueles sonhos coloridos e – sim, porque não? – bem mais reais do que os devaneios que me assolavam às vistas. Aqueles que me entediavam enquanto bebia chá e comia aqueles intragáveis biscoitos finos, metidos, estáticos, pouco espontâneos e nada delicados, vindos de um canto que não conheço, potencializados por pessoas com as quais não me envolvo, repleto de detalhes dos quais nunca compartilhei.

foto.

domingo, 27 de março de 2011

sexta-feira, 25 de março de 2011

A senhora do tempo.

E porque achava que felicidade era defeito e não possibilidade, ela vivia a trancá-la em seu peito, como prendia aquele canário azul dentro de uma gaiola apertada no fundo do seu apartamento.

E porque acreditava que a vida não era nada mais do que uma grande bobagem salpicada por momentos de vã esperança, ela vivia a resmungar pelos cantos, agindo como se não houvesse mesmo sentido em abrir a gaiola, já que o seu velho canário, há muito preso por pequenos ferros, nunca bateria as próprias asas.

Ela realmente só pensava em bobagens como ele vivia lhe dizendo. Ela não sabia mesmo ver, preferindo procurar dias de chuva em meio às previsões da metereologia. Ela viva a se cercar de receios para não justificar aquela vontade de gargalhar bem forte e demonstrar ao mundo que sua felicidade não era excesso, apenas uma forma viva de demonstrar o sentido de tudo.

E porque acreditava cegamente na relatividade, não aceitava a permanência dos dias de sol, já que, sem demora, grandes tempestades e tormentas assolariam sua cidade. Ela podia até entender porque ele a deixara, porque se cansara de ouvi-la resmungando aos quatro ventos, incitando a chuva forte que batia no telhado e os trovões que lhe gelavam os ossos. Ela provocava a vida como se a intimasse constantemente para a guerra e se armava mesmo quando nenhuma nuvem escura se mostrava em toda a extensão do horizonte azul.

E por isso mesmo, o viu arrumar suas malas, seus pertences, seus livros e cd´s, o observou enquanto recolhia o shampoo anti-caspa e aquele sabonete que perfumava sua pele, aquele que ela beijava com louvor, sorrindo em meio ao aroma que sua pele exalava ainda úmida.

Ela vivia a resmungar contra a grama verde do vizinho, esquecendo-se de molhar as próprias plantas, de alimentar o seu canário trancado na gaiola de ferro que seguia com a porta aberta e ele não se despedia.

E por acreditar cegamente que a chuva era que o prendia, o canário continuava ali, batendo suas asas na apertada gaiola de ferro sem saber, ingenuamente, que a tempestade que se formou era um mérito dela, que vivia a chamar para si as piores previsões.

Ela o viu ir embora, prolongando a tempestade que a metereologia previu e aconteceu, esnobando o débil pássaro que ali permanecia, vingando a maldita felicidade com sua tristeza, já que ela estava muito bem, obrigada.

E por não acreditar em si mesma, vivia a resmungar pelos quatro cantos com saudade do seu cheiro, da sua presença e daquela forma toda dele de fazê-la sorrir em qualquer momento, com aquela deliciosa massa que ela preparava enquanto ele escolhia um vinho, das noites em que os dois conversavam no escuro, escolhendo o nome dos filhos, entrelaçando os dedos das mãos e tricotando juras de amor que ao nascer do sol se tornavam realidades apaixonadas de dias frutíferos.

E ela, por não acreditar em juras, o viu partir confirmando o que sempre soube: não o merecia, um dia o perderia e nunca mais se livraria daquela chuva maldita que o senhor do tempo avisou na TV.

Ela o viu partir e não se despediu, nem ao menos lhe disse adeus e jogou fora tudo o que lhe lembrava ele, deixando o apartamento vazio e só. Tudo o que restou nos seus metros quadrados foi ela, sua chuva e aquele pássaro burro que não sabia mais bater as próprias asas.

Então, quando mais um dia raio sem sol, ela percebeu que o pássaro se fora. E porque não acreditava mais na própria sorte, partiu caminhando a chamar o canário que finalmente encontrou sua asas.

E então, por acidente, pareceu ouvir os gritos por socorro, abrindo seu peito, segurando seu guarda-chuva até que a felicidade, sem rancor, se aproximou. Juntas dançaram uma música enquanto o objeto jazia moribundo em uma poça e os pingos de chuva molhavam sua face que, ainda assim, sorria.

segunda-feira, 21 de março de 2011

"De todos os cantos e lados, em todos os sentidos e direções, cruzam palavras, ideias, sons, promessas, imagens, ruídos, vozes, de modo que não sobre espaço vazio. Espaços vazios são desprovidos de valor, é o que pensamos. E não sabemos parar de pensar. (...) Temos medo de ensurdecer no silêncio, como se dizer e ouvir fossem o que nos mantém vivos. Temos vergonha de não significar."
Cris Guerra.


"Odeio me dar conta que no final somos felizes apenas em fotografias. Que nossos sorrisos em conjunto cabem muito bem no colorido e luminoso do papel."
Gabito Nunes.

Segunda-feira.



Na verdade, ando buscando entreter meu cérebro com coisa útil. Eis a lista de hoje.

1 - Grupo de estudo em plena segunda-feira de manhã.

2 - Lições sobre pessoas e conteúdos.

3 - Trabalho.

4 - Coluna do Bruno Medina e seus textos divertidissimos.

5 - Coluna do Luciano Trigo e suas curiosidades sobre literatura.

6 - Texto do Luciano Trigo sobre best-sellers. Esquisito pensar que no mundo capitalista é sempre "uns com tanto, outros com tão pouco".

7 - Outro sobre Foucault. Um companheiro dos meus cinco anos de psicologia.

8 - No artigo sobre Foucault (citado acima) achei a frase de Paul Veyne: “os discursos são as lentes através das quais, a cada época, os homens perceberam todas as coisas, pensaram e agiram; elas se impõem tanto aos dominantes quanto aos dominados.” Então me sinto satisfeita porque o mundo está cada dia mais construcionista social.

9 - Discussão sobre a lei da carga horária da Psicologia.
PSI - As 30 horas interessam apenas aos psicólogos?
Rogério Giannini - Não, essa não é uma questão de caráter meramente corporativo. Quando se regula jornada está se falando de condições de trabalho. Não se trata, simplesmente, de "trabalhar menos" ou de "aumentar postos de trabalho". O fato é que há profissões nas quais o prolongamento da jornada acarreta perda da eficiência. Trabalhar mais de seis horas por dia, em condições que exigem elevada atenção intelectual, como é o caso do psicólogo, leva a isso. O que remete à questão da qualidade do serviço prestado à população. Essa qualidade precisa se manter uniforme do começo ao fi m da jornada. É por esse motivo, por sinal, que o Sistema Conselhos de Psicologia se manifesta sobre a questão. Porque é dever da entidade zelar pela qualidade no exercício da profi ssão.

10 - Por fim, eu realmente me pergunto: isso tudo ou BBB11?
(com todo o respeito à liberdade de escolha!)

sexta-feira, 18 de março de 2011

dezoito de março.


Não adianta procurar semelhanças. Não parecemos nada, nada uma com a outra. Cabelos, olhos, boca, nariz, nada. Muito menos personalidade, manias, ou qualquer um destes. Uma loira, outra morena e um DNA compatível, não muito mais do que isso.
Ao mesmo tempo, filhas do mesmo pai e da mesma mãe, nascidas na mesma cidade, com os mesmos tios, primos e avós. Quando pequena, ela dizia que eu era adotada. Ao seu favor contava o fato de minha mãe e ela serem muito parecidas. Sobrava para mim que acreditava mesmo que eu tinha sido achada no lixo.
Hoje, o dia do aniversário dela, me faz falta não ter lhe dado aquele abraço apertado e um beijo de parabéns, sinto saudades das piadas e das bobagens dela.
Não moramos mais no mesmo endereço, nem isso temos mais em comum. Não dividimos as roupas, assim como as caronas no fim do dia se acabaram. Não discutimos sobre bobagens cotidianas, não assistimos mais BBT juntas, falta aquela disputa diária pelo computador...
Ainda não aprendi a falar um monte pra ela e quando tento, sai meio torto, ainda não sei exatamente como dizer certas coisas, mas a gente vai aprendendo.
Sei, no fim, que não importa muito distância, cor de cabelo ou qualquer semelhança, somos irmãs e isso basta. Podemos não ter os mesmos gostos, mas volta e meia me vejo usando as gírias dela e fazendo os mesmo gestos com as mãos. Sorrio sozinha nesse momentos e sinto ainda mais saudade.
Neste dia, dezoito, tudo o que queria desejar a ela e o maior presente do mundo não seriam suficientes para dizer tudo. Estamos longe, eis um fato, mas as vezes acho que isso nos aproximou de alguma forma.
Gosto muito de saber que não estou sozinha, que existe ali alguém que cresceu comigo e conhece minha história. Irmão mais velho tem a função de nos ensinar um monte na vida e aprendi um monte com ela, mesmo que as vezes eu me sinta a mais velha e ela a caçula. Hoje, falta o abraço, mais sobra o carinho. E algumas piadas, claro, todo esse jeito nosso de dizer "amo você".
Feliz aniversário, malucona.

terça-feira, 15 de março de 2011

lembrete.

- ei, coloque-me lá no alto, onde ela possa ver.
- aqui?
- um pouco mais acima, por favor.
- aqui?
- está bom. obrigado.

sábado, 12 de março de 2011

Nenhum outro lugar.

As janelas passavam por todas as arvores prostadas ao longe na avenida quase deserta, apenas ele vivia a imaginar que elas não estavam. Os trilhos corriam nas rodas do grande carro a 100 km/h, enquanto o mundo girava no encalço do sol escaldante. 30 graus no asfalto quente da estrada e apenas 20 e tantos no frio ar condicionado do motor. Enquanto a estrada cruzava cidades, seu cerebro cruzava as avenidas da própria verdade, alucinando detalhes absurdos de um enredo que ele sabia de cor.

Seu sonho não era extamente ser uma celebridade, um pop star, um cantor famoso, um galã de novela das oito ou muito menos um sexy simbol. Em seus pensamentos, versavam apenas as condições óbvias de sobrevivência: casa, comida e roupa lavada. E lá no céu, a esperar, o sol escaldava a vida enquanto o ventro frio arrepiava seus cabelos.

Ele não queria estar em nenhum outro lugar que não aquele, na estrada, rumando, traçando rotas e cruzando quilômetros sem fim. Ele não queria estar em mais nenhum lugar que não na poltrona confortável e fresca de um ônibus interestadual que o levaria a apenas um lugar: olhos azuis piscina e boca sabor cereja.

sexta-feira, 11 de março de 2011

Minutos de Sabedoria

Aries - Sábado, 12 de março de 2011

Hoje Urano entra em seu signo e uma nova fase começa definitivamente em sua vida. A união desse planeta com mercúrio e Júpiter promove mudanças e decisões radicais envolvendo o rompimento com tudo o que não faz mais sentido.

fragmentos de retrato.


ando procurando respostas em cantos em que vivem apenas os seres inábeis, aqueles que sussurram para si, sem se importar com o mundo, vivendo porque viver é quase uma insuportável obrigação. ando procurando respostas para pessoas que rodam e rodam sem buscar mudar o que a vista alcança, apenas tateando às cegas enquanto mais um dia vem, mais uma noite se vai.

*

o mercador subiu o morro mais uma vez. vestido com o seu melhor terno, com os velhos sapatos muitas vezes engraxado e com seu chapéu roto, ele carregou suas bugigangas enquanto se arrumava para mais um novo dia de trabalho. reunidos, todos os pertences se amontoavam delicadamente em um grande saco de algodão e subiam o mesmo morro que o velho homem. no seu lugar, ele espalhou pelo balcão as conhecidas peças com as quais conviveu por anos, um batido conjunto de palavras bonitas e repletas, carregadas de multiplos significados e inúmeras interpretações. "vendem-se metáforas" dizia a placa e o mercador se despedia, repleto pela saudade das suas palavras, carregados com as dores com as quais ele mesmo convivia.

*

seria mais simples dar a cara para bater sem medo do escuro, ou pular no mar profundo sem se preocupar se aquele metro quadrado aquático faz parte ou não da rota de fuga de tubarões. seria mais simples se refazer de si mesmo e assim, ser outro. mas não é. e porque não é, não é possível. entenda apenas uma mísera coisa: a vida é assim e nós vamos tentando, até o dia que tudo isso faça uma migalha a mais de sentido.

*

dizer adeus é troço esquisito demais. e mesmo que não morra, dizer adeus é como morte. deixar para trás é tarefa estranha nesse mundo insano e divino. nunca se sabe a hora, o próximo, o futuro, nunca se sabe nada sobre o que não se tem. e assim, se vai. foi. adeus.

*

ando cuspindo palavras tortas em busca de acalmar meu ser. ando meio trôpega, mesmo após umas férias santas em territórios desconhecidos que hoje são apenas confortáveis lembranças. ando assim, tentando, para que um dia alguém me olhe nos olhos e diga: "acabou, querida, você pode descansar agora". ando tão cansada e tão desgastada que eu só queria que alguém dissesse: "você não vê? ela está tentando. tenha dó! pelo menos finja que faz sentido". ando lutando demais e gastando a reserva de mim, imaginando o dia, aquele dia comum sem atrativos em que a felicidade não será constante, mas que a terra seja firme e as palavras mais minhas.

*

enquanto as minhas não chegam, leio outras:

ei, eu te entendo. sei como é difícil. machuca.

você fica feliz de vê-la chorar, mas sente culpa. e depois vem um vazio. e aí você preenche com tudo isso de novo. ou dá um tempo e corta o cabelo, ou faz e desfaz suas luzes. ou coloca um monte de fotos no facebook pra mostrar o quanto foi feliz em frente da câmera nova. e continua um vazio. que você preenche com radiohead ou revista de fofoca. com discussões sobre nietzsche ou contos das suas intermináveis aventuras na night. e você enche a cara e se sente livre. grita que se acha incrível atravessando a faixa de pedestres no meio da madrugada. e depois cai no choro. anonimamente. eu sei.

pés de amora.

foto.