quarta-feira, 28 de julho de 2010

sobre os quebra-cabeças e a inércia.



os quebra-cabeças são feitos de peças recortadas que se encaixam após alguma enfâse na perda neuronal progressiva, ou, traduzindo: você se esforça pra caramba pra encaixar uma peça quando faltam umas 99999 a mais!
e quando você completa todas as peças, com neurônios de menos, não é possível que ele se reorganize. e que graça tem desmontá-lo e montá-lo exatamente do mesmo jeito? quebra-cabeças são inertes. pensando assim, beira a esquisitice.

deviam existir os quebra-cabeças que, ao fim da montagem, produziam novas peças, com novos arranjos. mas, eu sei, seria o fim do mundo capitalista das fábricas de quebra-cabeça.

fica a sugestão!


mas, falando sério, se a minha vida fosse um quebra-cabeça?
fato: as peças não se encaixariam mais do mesmo jeito.

adoro a falta de inércia da vida.

segunda-feira, 26 de julho de 2010

pois é...


já me toquei que ando meio esquisita.

as coisas estão girando cada vez mais rápido,
mas é engraçado, eu ainda não sinto o enjoo.

graças a Deus!

;)

sabe?


sabe o caracol? sim, aquele!
aquele mesmo que se esconde dentro da própria casa que leva nas costas à todo instante?
sabe aquele que se intoca ali e só sai de tempos em tempos quando é necessário?
sacou quem é?
pois é.

muito prazer.

sábado, 24 de julho de 2010

sobre as mudanças necessárias. (parte III)


pular é uma mudança necessária.

compreende a leveza?

hoje quero dizer tanto que não consigo.

(...)

O alimento nosso de cada dia.


Nas sociedades primitivas, as refeições eram consideradas momentos em que apenas as pessoas que faziam parte da tribo participavam. Logo, alimentar-se é pertencer. Alimentar-se é dividir.

Ser aceito em um grupo é um certificado de pertencimento e compromisso.

Logo, alimento é participação, pertencimento, divisão e compromisso. Fazer parte, não apenas nutrir-se.


Minhas relações são permeadas por alimento. Na minha família, quando íamos à fazenda dos meus avos, havia farofa de ovo e carne de sol para o jantar, além do suculento bolo de puba. Sempre eram feitas duas assadeiras do bolo, um para nós e outro para o meu avô. Primeiro comíamos a nossa, depois subiamos no armário da despensa e pegavamos a assadeira com o bolo dele.
Na semana santa, nos reuniamos para ganhar os ovos da pascoa que minha avó nos dava e comiamos um banquete recheado com os melhores pratos. No mesmo ritmo, o natal, os aniversários e comemorações também foram marcadas por comida.
No domingo, adorava ir para casa de minha tia comer frango assado com macarrão e farofa... Quando eramos menores íamos todos para um restaurante, comer camarão a catupiry e matarmos os mais velhos de vergonha com a gritaria que faziamos... Os churrascos na casa de minha tia eram de impróviso, mas o peixe assado na brasa nunca me sai da memória...

Da mesma forma, outros grupos são marcados por reuniões gastrônomicas. Os encontros do antigo octeto (com a turminha da faculdade), os das maridas, as festas com os amigos do colégio, as reuniões no trabalho... Enfim, reunião de qualquer espécie - para mim - pede comidinhas saborosas.

Um encontro é um espaço de troca e assim, uma reunião para nutrir.

Almoços de domingo, reuniões em família, ovos da páscoa, ceia de Natal, jantar a dois, almoço coletivo, almoço de negócios...

Pensar nisso me faz sentir certo alívio. Somos uma sociedade desenvolvida, pós-moderna e globalizada. Por outro lado, estamos cada vez mais mergulhados no consumismo, na falta de amor, no imediatismo e no individualismo.

Assim, quando me deparo com certos rituais que ainda mantemos nestes dias pós-modernos, minha alma se assossega por encontrar algum ligação com nossas raízes.

foto

quinta-feira, 22 de julho de 2010

ainda sobre as mudanças necessárias...


é preciso saber o momento
de se deixar levar
leve
como o vento.

é importante saber o momento
de se desprender
e voar.

leve.
muito leve.
(no ar e no chão).

foto.

quarta-feira, 21 de julho de 2010

sobre as mudanças necessárias.


é preciso saber o momento certo
deixar de acreditar em fadas madrinhas
e saber se deixar levar.

é preciso saber o momento certo
para as mudanças
certas
e erradas.

tudo que é preciso
está aqui.

foto!

sobre as cartas que permanecem.


ontem, vinte de julho de dois mil de dez, dia do amigo, relembrei de um tempo bem antigo.
quando criança, sempre estudei no mesmo colégio, tive os mesmo colegas e conhecia todos os funcionários da minha escola.
assim, meus grandes amigos de infãncia eram praticamente os mesmos desde o maternal. muitos permaneceram até o último ano e se mantêm presentes até hoje. outros mudaram de turma, de colégio, de cidade ou passaram a ferquentar outros grupos. entretanto, mesmo os que não fazem parte do meu cotidiano, são figuras vivas e alegres em minhas memórias, como parte de um tempo bom.
ontem recordava dos dias do amigo que vivi nos meus tempos de colégio. todos os anos, nós trocavámos cartinhas com letras miúdas e desenhos bonitos. todos os anos, organizavamos envelopes coloridos, frases carinhosas e uma dedicação intensa. cada envelope recebia o nome do remetente e um conteúdo lotado de querer bem. sem dúvida, essas eram as melhores lembranças do meu passado.
ainda guardo algumas das cartas, mas a melhor imagem é de um corredor cheio de amigos distribuindo e lendo essas cartinhas. ainda posso lembrar o sabor daqueles momentos e meu mundo hoje - mais crescido - ainda guarda um pouco daquele alegria de menina.

mesmo atrasado, desejo um feliz dia do amigo aos meus.
estes companheiros ao acaso que a vida nos deu para termos a quem pedir uma mão quando tudo parece impossível.

:)

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Entre os caminhos.


No meio do caminho

No meio do caminho tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
tinha uma pedra
no meio do caminho tinha uma pedra.

Nunca me esquecerei desse acontecimento
na vida de minhas retinas tão fatigadas.
Nunca me esquecerei que no meio do caminho
tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
no meio do caminho tinha uma pedra

(drummond)

*
(...)E no meio das minhas pedras, outros caminhos.

entre todas as coisas.

entre todas as coisas,
entre todos os lugares,
entre todos as esquinas,

uma única pergunta lhe inquietava a alma e o coração.

de certo, todas as respostas chegariam
mais do que certo, tudo passaria

e ela, no seu canto apenas perguntava:
- demora?

e entre todas as coisas, a resposta que surgia não cabia dizer.
e entre todas as coisas, ali ela estava.

mais uma vez.

sábado, 17 de julho de 2010

os dedos nervosos.


os dedos nervosos ganharam novas cores.

ando plantando novas flores por aí.

Sobre a correria.


e a gente corre tanto para ver a vida parada no meio da rua, no meio da chuva, no meio da vida, no meio do tempo.
e a gente corre tanto para parar pra ver, para parar pra remendar, para parar porque é assim que tem que ser.
e depois volta a correr, até a proxima parada.

desejo paradas mais espaçadas para correr cada vez menos.

corridas já não me enchem os olhos.
corridas já não me animam os músculos.
corridas já não me satisfazem.

quero um longo pit stop.
por sorte, existem finais de semana.

sexta-feira, 16 de julho de 2010

não mais que de repente...


e de repente, ela entendeu que nem sempre a vida foi feita para fazer sentido. outras vezes, as coisas são como são porque nasceram assim e cresceram assim e serão sempre assim, sem sentidos justificáveis, sem inconstância mutante.
e de repente, ela entendeu que, às vezes, o silêncio e o grito se encontram e juntos constroem estruturas que ninguém pode explicar, cadências que o mundo confirma em suas idas e vindas, acertos e erros que o artista lapida com o tempo.
e de repente, ela encontra à frente um mar de mundo - maior do que seu tamanho mil vezes - e recorta partes deste mundaréu fixando um dedo indicador para a frente, esquecendo momentaneamente os outros recortes de mundo que o mundo, por si, lhe oferece.
e de repente, ela entende sabendo que certo dia desentendimento será.
de repente, não mais que de repente...

foto: ilha de itaparica

terça-feira, 13 de julho de 2010

quarta-feira, 7 de julho de 2010

sobre os espaços em branco.

a vida é composta por frases nada elaboradas, pouco estruturadas e sem caso pensado. sem por que ou pra que (inconscientemente ou não), nós produzimos um punhado de frases de efeito (ou sem efeito algum) para um milhão de pessoas (ou para ninguéns) que cruzam com nossos pés, mãos, olhos e bocas...

todos os dias, a vida se processa nessas mil e um livros-textos sem fim e assim se vão os meses.
ela, distraída e corrida como sempre, menos e mais um punhado de coisas, vive vivendo - enquanto as frases se produzem todas - olhando com cuidado para os espaços em branco.

os vazios pálidos que os seres produzem enquanto seguem a vida que têm, que acreditam ter ou que esperam (e nunca alcançam).

e enquanto olha os espaço, os brancos, os distraídos espaços brancos, ela vê.
o que ninguém, ou ela mesma, parou para ver.
o que se porta tão desinteressante,
que interessante é.

fim.