terça-feira, 16 de agosto de 2011

Home, sweet home.

E a gente que pensava que para amar, bastava muito mais que um tropeço de olhares e um roçar de lábios ávidos... 
E a gente que sonhava com cavalos brancos, castelos, poesias e insensatos rompantes corrompidos, ausentes de razão... 
Distraídos, caimos em outros caminhos enquanto os gatos do destino se entrelaçavam em nossas pernas e as teias de aranha, produzidas pelos vazios ensimesmados, se iam com a brisa leve da paixão. A queda - de um tanto longa - nos levou a um lugar incomum e escondido, repleto de lírios brancos e outros cantos recheados de pequenas margaridas. 
De fato, no momento em que encontrei seus olhos, eles pareciam - de forma súbita - tão preenchidos de mim que o ar me escapuliu dos meus distraídos pulmões que ansiaram poder respirar teu hálito quente uma vez para todo o sempre, amém. 
E a gente que esperava grandes balões voando no céu e promessas de "felizes para sempre", caímos em um riso manso, num gostar tranquilo e convulsivo que, trôpego, corria em direção um ao outro, deixando de lado a razão, os cisnes, as fadas e a fantasia. 
E a gente que esperava um grande pôr do sol e um casamento glorioso, nos demos as mãos e saímos a caminhar num mundo nosso, com cores que apenas você e eu saberiamos nomear. 
E a gente que pensava num mundo novo, olhamos para tudo e sorrimos sozinhos enquanto meus lábios desenhavam minha vida nos teus, enquanto meu coração se acomodava, manso, em ti, certo de que finalmente encontrara o nosso lar, doce lar. 


foto: Once Wed.

domingo, 14 de agosto de 2011

O velho e o moço (de mim)


(enquanto ela não podia ver o mar, levei o mar para ela) 
*
Ora, se não sou eu
Quem mais vai decidir
O que é bom pra mim?
Dispenso a previsão!
Ah, se o que eu sou
É também o que eu escolhi ser
Aceito a condição
Vou levando assim
Que o acaso é amigo
Do meu coração
Quando fala comigo,
Quando eu sei ouvir...
(O velho e o moço - Los Hermanos)
*
Existem certos encontros na vida que por um bobo receio tentamos desviar. Existem momentos que a certeza do terminar nos impede de fugir no primeiro voo para longe. Assim foi o meu destino nessa sexta-sabado. Os olhos turvos não representam em si o todo, meu completo recordar me atualiza de mim e diz: "é tempo de futuro, mulher". Quero a paz da minha cadeira, as raizes e folhas da minha arvore e a minha vida que eu escrevo quando me olho em mim e me permito cair em queda livre no abismo que magoa e, ao mesmo tempo, reconstroi. Um brinde ao que fazemos de nós a cada dia e aos sonhos que construimos ao ajudar (também) a reconstruir a dor do outro. 

domingo, 7 de agosto de 2011

Reflexos de domingo.


Little darling
The smiles returning to the faces
Little darling
It seems like years since it's been here
Here comes the sun
Here comes the sun
And I say
It's all right


Com sorte, o sol que brilhava em sua varanda permaneceria, aquecendo suas roupas no varal, retirando o cheiro de chuva da casa, levando com ele uma gama de sutis distrações semanais e desesperadamente não esperadas.
Em razão das bençãos dos deuses, haveriam roupas a lavar, almoço a preparar e visitas a fazer. Quem sabe até uma pitada de sossego e uma generosa fatia de bolo de chocolate. Ela ainda não sabia.
E enquanto o olhava dormir, apenas agradecia em silêncio. Com sorte, a sorte de viver ao seu lado se prolongaria, mesmo depois que o sol se despedisse, mesmo depois que as rugas tomasse os cantos distraídos do seu rosto. 

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Faz algum tempo, ja nem me recordo quanto. Meus olhos se desviavam do obvio e o mundo se configurava um tanto quanto excessivamente turvo. Faz algum tempo e a miopia se abandonou de mim, mas restou aquele vago sentimento tropego de luta vencida e derrota eminente. Sábios os que sabem reconhecer o fim de uma guerra, cotidianamente outras tantas precisam continuar e enquanto o quebra-cabeça derrete aos poucos, fecho os olhos e peço um pouco de mim. Estou cansada de guerras em tempos tao repletos de assombros.

segunda-feira, 1 de agosto de 2011