sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

sobre o que ficou saudade.


Soube agora a pouco que uma grande e queridíssima professora faleceu. Seu nome era Mercedes Carvalho e ela foi uma das pioneiras da psicologia baiana. Dona de uma personalidade forte e destemida, me ensinou muito sobre coisas do mundo psi e de outros tantos.

O sentimento que nutria por ela era de completa admiração do ser humano. Durante um ano e meio freqüentamos o Nordeste de Amaralina para ensinar idosas através do método Paulo Freire. Eu adorava esse projeto e ela também. Aos 70 e tantos anos, não se intimidava quando os conflitos entre traficantes e policia estava mais acentuado. Dizia simplesmente que não tinha medo da morte.

Por baixo daquela mulher às vezes rígida existia um ser humano no melhor sentido da palavra. Sempre respeitei o poço de conhecimento que ela era e adorava quando ela me chama de “Marilhinha”. Adorava suas histórias sobre sua longa vida e detestava o behaviorismo. Ela sabia daquilo, ela era amante declarada de Skinner, mas respeitávamos nossas diferenças. Aos poucos, descobri a sistêmica, com sorte, nunca perdi Mercedes na minha vida.

No meu último semestre, Mercedes foi desrespeitosamente demitida da Faculdade Ruy Barbosa e comigo, levei a decepção de uma faculdade que zelava pelo clima “familiar”. Éramos poucos no turno matutino, apenas a Psicologia e o Direito e este era um dos motivos de eu adorar a Ruy. Os professores eram os melhores e Mercedes ocupava um local de quase coordenadora. Com ela eu me sentia a vontade para deixar clara minhas opiniões sobre tudo e aprendi tanto e tanto que a destaco como minha professora mais importante nos meus 5 anos de graduação.

No ano que vem teríamos sua aula na pós-graduação, estava ansiando para reencontrá-la já que um ou dois momentos que programei com outros colegas do estágio do Nordeste para visitá-la, não se concretizaram. Ainda não sei o que houve com ela, mas como estou no interior, não poderei ir para seu enterro.

O adeus a Mercedes Carvalho hoje é um exemplo claro daqueles momentos em que nos sentimos tristes por não ter feito algo, por não ter dito algo. A última vez que a vi foi na minha formatura, quase dois anos atrás. Tenho fotos com ela e uma delas é um abraço lindo. Logo depois da formatura, lhe mandei uma carta com minha foto e um bilhete, não me recordo mais o que escrevi, mas estava lhe agradecendo por tudo. Por tudo que fez e pelo quanto acreditou em mim.

Não era fã de Skinner, nunca entendia bem reforço negativo ou certos pontos behaviorista, mas era uma fã declarada da professora Mercedes. Sempre a levarei comigo, como uma das figuras pioneiras da psicologia e muito mais, como uma das figuras importantes em minha vida. Nunca esquecerei nossas aventuras no Nordeste, nossas supervisões, seu amor pelas velhinhas, seu amor pela psicologia e por seus alunos.

Ainda me divirto hoje ao recordar suas discussões sobre Behaviorismo com Drica enquanto as aulas não começavam, ainda lembro do seu rosto bonito e do seu sorriso caloroso. Mas, hoje, ao saber da notícia, sinto falta daqueles abraços gostosos que nunca mais receberei e que com certeza, sentirei falta para todo o sempre. Adeus, professora.

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

clarice (de novo).


" a vida é igual
em toda a
parte
e o que é
necessário
é a gente
ser a
gente"

[2011 é o ano do auto-encontro - encontro (en-con-tro) s. m. Ato ou efeito de encontrar. Casual posição face a face com uma pessoa ou coisa. Colisão de dois corpos: encontro de veículos. Combate imprevisto entre duas tropas em marcha. Competição esportiva. Luta. Duelo. Confluência de rios. Achado. Ponto de articulação das asas das aves com o rádio e o cúbito. Encontro de contas, acerto. loc. prep. Ao encontro de, à procura de, a favor de. loc. prep. De encontro a, contra, em oposição a.]

(Me acredite.) Não quero demais, para, assim, não querer menos.


(...)

Não é sempre que me desencontro, querida, agora apenas me afogo em mim nesse mar de sal tóxico. Às vezes me perco por conta de uma maré desavisada e agitada que me pega de jeito e me leva para a praia enchendo minha boca de uma areia amarga e sem vida. Não sou sempre assim, mas o sempre não me existe, existe apenas o que sou. E o que eu não sou, ainda, não sonho ser. Não por não querer, mas por desejar pequenas e significativas vitórias. Não quero demais, para, assim, não querer menos.

O que eu desejo, bem do fundo, nem o fundo do coração conhece e o que eu sonho os desejos não alcançam. Nem sempre sou esse conjunto de palavras tortas e bêbadas, querida, não se assuste. Sou calma como o vento em dia de brisa e repleta como uma bola de ar que flutua em direção ao céu azul. Me esvazio porque o sol dói as vistas e me preencho novamente como a maré que se vai para se voltar para si e se enche na busca por mais uma parte de areia, buscando sempre e sempre um dia seguir adiante.

Não sou sempre esse conjunto torto de falsas promessas e desilusões, acredite. Mas venho desse tudo que não é nada em mim, venho desse nada que se torna tudo. Venho desse DNA por vezes pesaroso e dessa pele maldita que me encharca de sal que queima minhas feridas.

Assim, não se espante, quando cansada delas, me revista com tecidos analgésicos e acaricie minhas feridas como um gato que banha a própria pele. Acredite, sou eu quem trato minha feridas e quem sossega meus demônios. Nasci de uma teimosia inquietante e sigo nela para encontrar enquanto as chamas e a parafina da esperança queimam meus dedos e meu tudo. Não desisti, acredite.

Mas...

Existem dias que nasceram para serem riscados do mapa. E agora, querida, enfrento um enxame deles. E todos eles me espetam a pele com ferrões venenosos que, por hora, não suporto. Eu sei, não deveria ser assim, mas estou cheia de me prender às conquistas, querida, por hora minhas feridas doem e me cansam. Aqui está tudo e a parafina da vida me açoita a pele. Acredite, logo eu volto. Mas, momentaneamente, me deixe descansar a cabeça no seu colo e chorar mais um tanto. Não sou feita apenas de vitórias, querida, e as feridas da vida por hora me rasgam a pele. Por hora, querida. Me acredite.

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Pequena Abelha


"Nas pernas escuras da moça havia muitas cicatrizes brancas pequenas. E pensei: Será que essas cicatrizes estão no seu corpo inteiro, como as luas e estrelas no seu vestido? Achei que isso também seria bonito, e peço-lhe neste instante que faça o favor de concordar comigo que uma cicatriz nunca é feia. Isto é o que aqueles que produzem as cicatrizes querem que pensamos. Mas você e eu temos que fazer um acordo e desafiá-los. Temos de ver todas as cicatrizes como algo belo. Combinado? Este vai ser o nosso segredo. Porque, acredite em mim, uma cicatriz não se forma num morto. Uma cicatriz significa: 'Eu sobrevivi'."

Pequena Abelha - Chris Cleave.


A sinopse fala por si:
Não queremos lhe contar o que acontece nesse livro.
É realmente uma história especial, e não queremos estragá-la. Ainda assim, você precisa saber algo para se interessar, por isso vamos dizer apenas o seguinte: Essa é a história de duas mulheres cujas vidas se chocam num dia fatídico. Então, uma delas precisa fazer uma escolha que envolve vida ou morte. Dois anos mais tarde, elas se reencontram. E tudo começa... Depois de ler esse livro, você vai querer comentá-lo com seus amigos. Quando o fizer, por favor, não lhes diga o que acontece. O encanto está sobretudo na maneira como a narrativa se desenrola.

Quanto a mim, ainda não sei bem como explicar o que ele significou.

sábado, 18 de dezembro de 2010

Elza.

Quinta-feira, 16 de dezembro de 2010, eis que aconteceu algo inesperado. Estava eu no meu período de férias (que por excesso de compromissos não posso chamar de periodo tedioso), fui almoçar com meu tio querido e o noivo-rido, então surgiu o convite (que vindo do tio mais parece intimação). Assim, fui para o cinema da UFBA (que adoro por ser pequeno, vazio e apesar de mal cuidado, transpira coisas muito diferentes que o cinemark e o multipex não compreendem).
Assisti o documentário de Elza Soares. Já fui a um show dela no TCA anos atrás com o mesmo tio e o noivo-rido. Nunca fui fã da mulher em questão, mas achava incrivel a voz dela. Após o documentário, fiquei mais encantada e me chamou a atenção coisas que todos diziam: "Elza não se explica".
Durante o filme, me peguei imaginando em quantos números de CID colocariam essa mulher, mas então suspiro de alívio ao perceber que as coisas mudaram um pouco na classificação.
Ela é e ponto, sem definições ou diagnósticos.
O ponto alto do pequeno documentário (além da fotografia belissima), foi Caetanto e ela cantando "Dor de cotovelo". Não conhecia a música, mas adorei. Principalmente porque pelo que meu tio contou, Caetano escreveu essa música para ela. E enquanto cantava, ela chorou mais do que cantou.

Achei bonito.
E ultimamente, com o clima "fim de ano", venho buscando coisas bonitas para me lembrar.


Dor de Cotovelo

Elza Soares
Composição: Caetano Veloso

O ciúme dói nos cotovelos,
na raiz dos cabelos,
gela a sola dos pés.

Faz os músculos ficarem moles,
e o estômago vão e sem fome.
Dói da flor da pele ao pó do osso.
Rói do cóccix até o pescoço
Acende uma luz branca em seu umbigo,
Você ama o inimigo e se torna inimigo do amor.
O ciúme dói do leito à margem,
dói pra fora na paisagem,
arde ao sol do fim do dia.

Corre pelas veias na ramagem,
atravessa a voz e a melodia.

Vídeo

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Ê, Clarice!


Washington, 5 de outubro de 1953, segunda-feira

Fernando,

Não tenho feito muitos amigos (salvo uma enfermeira da maternidade que gostou de mim e depois de quase oito meses de Paulinho nascido vem me visitar na folga — hoje toma chá comigo), e não tenho influenciado nenhuma pessoa. Tomo menos milk-shake e levo uma vida diária vazia e agitada. Passo o tempo todo pensando — não raciocinando, não meditando — mas pensando, pensando sem parar. E aprendendo, não sei o que, mas aprendendo. E com a alma mais sossegada (não estou totalmente certa). Sempre quis “jogar alto”, mas parece que estou aprendendo que o jogo alto está numa vida diária pequena, em que uma pessoa se arrisca muito mais profundamente, com ameaças maiores. Com tudo isso, parece que estou perdendo um sentimento de grandeza que não veio nunca de livros nem de influência de pessoas, uma coisa muito minha e que desde pequena deu a tudo, aos meus olhos, uma verdade que não vejo mais com tanta frequência. Disso tudo, restam nervos muito sensíveis e uma predisposição séria para ficar calada. Mas aceito tanto agora. Nem sempre pacificamente, mas a atitude é de aceitar.

achado em: don't touch(...)


(férias do trabalho = férias pra vida. vou tomar fôlego novo pra entrar bem 2011... assim espero.)

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

segunda-feira (de novo).



e se o mundo fosse um grande twitter, com certeza eu retwittaria meu ultimos post!

é pedir muito um pouco de sossego?

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

segunda-feira.


meus dias vacilam entre o bom e o mau humor com tréguas emocionais esporádicas.

então, eu suspiro e recordo que hoje é segunda-feira.

estou com o humor típico ao dia.

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Primeiro balanço.


Hoje, por acaso, estava (re)lendo minha lista de realizações para 2010. O mais espantoso não foi constatar que eu não esqueci da lista durante os 300 e alguns dias do ano até o dia atual, o mais surpreendente foi perceber que a maioria das metas foram alcançadas, desde as mais objetivas até as mais subjetivas.
Curioso também foi perceber que no início do ano eu não imaginava que tanas coisas iriam acontecer, muito menos que certos eventos aconteceriam da forma como aconteceram.
(Eu sei, não tenho poderes paranormais, logo...)

Explico o meu revival inesperado: em meados de dezembro estarei de férias, logo fico com a sensação ainda maior que o meu ano está acabando. Então já penso na lista de metas para 2011 e nas boas promessas que o ano me traz.
Por vezes, tenho medo de 2011 porque desde 2008, com minha saída da faculdade e por consequência da ocuapação "estudante", muita coisa tem mudado assustadoramente rápido (demais) para mim.
Mas na maioria dos dias, espero que 2011 venha bonito e cheios de metas novas com as quais eu nem chego a sonhar até o dia que elas se tornarem verdade.

ps: a foto foi uma acaso do gettyimages. só depois percebi que o peixe estava de cabeça pra baixo. bem minha vida, mas bem bom.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

up.

Acho que ando precisando de
Russell e Carl Fredricksen
(outra vez)
na minha vida.

segunda-feira, 15 de novembro de 2010


Nem sempre viver foi bom.

Ela pensava sentada na sua cadeira macia com os pés confortavelmente plantados no pufe vermelho da casa.

Nem sempre amar foi doce.
Nem sempre sorrir foi verdade.
Nem sempre heróis são super.
Nem sempre continuar foi caminho.
Nem sempre suspiro é descanso.

Ela pensava, sentia, sabia, ela não era mais, ela era um pouco mais, ela não mais um tanto e outro tanto menos.

Ela sorria, mas mesmo assim...
Nem sempre palavras são simples.
Na maioria das vezes, simplicidade e intenção se desencontram.
Haveriam mistérios? Simples verdades?
Quem seria?

Nem sempre viver era bom.

Ela sabia.
E as pernas no pufe se mantinham esticadinhas, enquanto o mundo girava um bocadinho e a vida seguia mais outro tanto.

foto.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

os significados do tempo.


ela acreditava consideravelmente no poder do tempo. um dia mudaria uma vida na mesma velocidade que um ano, um segundo seria suficiente para percorrer milhões de quilômetros.
ela amava os significados do tempo.
um dia, com certeza, seria suficiente para que a dor e a delícia se misturassem por inteiro, enquanto no céu, o sol raiasse esplendoroso.

foto!

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Sobre verdades (ditas e não-ditas).


"Nem sempre a verdade é necessária".

Ela pensou enquanto penteava os longos cabelos ruivos. Sentada na cama, após um dia comum, ela suspirava cansada. Seu fim de noite não havia sido dos melhores e as revelações que ouviu sequer faziam parte do seu roteiro anteriormente esperado.

Conhecer verdades tão duras eram muito diferentes de ouvi-las do protagonista delas. Saber que o fenômeno existia era muito menos dramático do olhá-lo sorrir vitorioso, bem ali, com o bafo soprando em sua cara. Tudo o que imaginava era muito diferente de conhecê-lo e ser forçosamente obrigada a apertar sua mão quando, bem da verdade, desejava socar sua cara sem dó nem piedade.

Desanimada, ela deixou a escova de lado e se deitou. Sempre acreditou na sequência dos dias e, mesmo fadada à repetição, mantinha em si uma fiel determinação em se firmar no nascer do sol e na possibilidade de novos horizontes à sua frente.

Na verdade, ela ponderou enquanto fechava os olhos:
Talvez fosse melhor encará-lo de frente e apertar sua mão. Talvez fosse necessário encará-lo nos olhos por alguns instantes e depois lhe mostrar os dentes. Talvez fosse necessário acreditar em si, já que, por hora, era difícil acreditar em qualquer outra coisa.
foto: sabino.

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

voo


as vezes a vida acontece em um ritmo mais compassado do que o cerebro consegue processar. enquanto isso, vou voando por aí.

volto logo!

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Quem é mais sentimental que eu?


Apesar da reportagem do Correio pegar pesado na crítica, eu não tenho nem palavras pra dizer.
O show foi sensacional desde o início. Nunca vi tanta gente reunida pra um show e nunca vi tanta ansiedade dentro de mim. Na concha, como sempre, a plateia dá um banho e quando o coro cantou "O vencedor". Porra! Foi foda. Nenhuma outra palavra definiria o momento: Foi F-O-D-A e ponto final.
Mas pior de tudo foi "Sentimental". E eu, admirada com apenas as luzes dos celulares acesas, cá no meu canto escuro, chorava sozinha.
Não me importa muito se a banda vai voltar, se o Camelo desafina, se o repertório é batido, se Los Hermanos "não disse a que veio", o que importa é o aperto no peito e as lágrimas saltando dos olhos. Porque, francamente, o que importa no fim é o que se sente.

(minha foto diz mais do que tudo)

"O quanto eu te falei?
Que isso vai mudar
Motivo eu nunca dei

Você me avisar, me ensinar

Falar do que foi pra você

Não vai me livrar de viver"

domingo, 17 de outubro de 2010

acalma essa tormenta.


Desde o dia que se levantou a possibilidade, borboletas voavam no meu estômago.
Desde o momento em que se confirmou a verdade, a adrenalina se agitou no meu cérebro.
Desde a informação que as vendas começariam em tal dia, os planos se iniciaram.
Desde o momento terrível de não conseguir, entrei em pânico.
Então desde o dia que um amigo confirmou meu "passaporte", eu espero.

Finalmente é hoje!
O dia do esperado Los hermanos.
Os dois meses de espera pareciam longos, mas enfim acabaram.
E desde a quarta ou quinta-feira, um dos meus vizinhos de prédio revisita todos os cds todos os dias.

Inclusive agora enquanto eu escrevo, o ouvindo ouvir "Adeus você"
Um fato: uma das minhas preferidas.

E hoje, mesmo gripada, sei que vou ter reações esperadas para o momento e inesperadas (cotidianamente falando).


"É bom...
Às vezes se perder
Sem ter porque
Sem ter razão
É um dom...
Saber envaidecer
Por si
Saber mudar de tom

Quero não saber de cor, também
Pra que minha vida siga adiante
"

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

tropa, copo vazio e podridão


Eu poderia escrever de um tudo sobre Tropa de Elite 2. Poderia, inclusive, fazer uma análise teórico-filosófica-psicológica-humanista, o relacionando à realidade da vida. Eu poderia fazer tudo, mas talvez seja melhor descrever uma sensação.

Enquanto todas as pessoas (após calorosos aplausos) levantavam para ir embora, eu olhava para os lados questionando o próximo momento. O sentimento era de total alheiamento, simplesmente porque estava tudo ali, meus queridos! Era tudo real.

Sem falar na atuação de Wagner Moura (tão fada quanto a de Hamlet no TCA meses atrás), que dispensa comentários. E a genialidade do roteiro?

Enfim, como eu disse, poderia falar sobre tudo, mas o único comentario que me cabe nesse espaço é:
ao olhar para um dos lados procurando qualquer resposta para as mil perguntas do filme, eis que minha vizinha de cadeira se levanta e "esquece" o copo vazio de refrigerante no suporte da cadeira.

Alguém consegue imaginar a minha revolta?
Então batem palmas pra um filme foda, acham incrivel a podridão verdadeira que eles relatam e "esquecem" um copo ali?

No fim....
(suspiro)
É mais fácil fingir que o filme é a realidade do Brasil, desprezando que você - e todos nós, inclusive minha vizinha de cadeira - faz parte desta podridão.

ok, vamos em frente.

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

sobre o acima.


olhar o mundo de cima deve ter certa vantagem.
olhar de longe
com dita neutralidade
(alguém acredita em neutraldiade?)
com certo distanciamento
talvez um pouco mais de clareza

mas, pensando bem,
olhar as fotos de uma festa é viver a festa?!?

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Sobre tudo agora.


Ontem, no meio do meu sono (que não anda nada restaurador), recebi uma noticia nada (nada, nada, nada, nada) boa. Parece que uma coisa puxa a outra como um imã que vai arrastando tudo (e mais um pouco) do que vê pela frente.
A saída é se segurar onde pode.

As vezes eu, sinceramente, me pergunto: Onde tudo isso acaba?
E, ainda mais sinceramente, eu entendo: Tenho medo das respostas.
(o que é muito diferente das dúvidas as quais me habituei).

sábado, 2 de outubro de 2010

O inicio da saga.



Existem cenas inesquecíveis em nossa vida, um fato.
Um dia desses, eu estava procurando uns filmes para baixar e por acaso encontrei o "Sempre amigos". Eu não me lembrava muito bem da história, mas sabia que era lindo.
Bom, não vou entrar nos detalhes da trama agora, mas lembro que eu o assiti com minha mãe na Globo e o adorei. Foi a partir dele que eu comecei a me interessar pela Lenda do Rei Arthur e fiquei viciada nas "Brumas de Avalon" (essa foi outra parte esquisita da minha vida, acredito, até hoje conheço poucos seres humanos assim).
Hoje á noite, no apice do tédio, sentei outra vez para rever "Esquisito, o corajoso".

(...)

...meus olhos ainda estão inchados demais para explicar.

pinguins, calça fluor, menino(a)


Enquanto finjo que não tenho pós o dia inteiro, saiu em disparada pela internet.
Então o restart foi vaiado no VMB e o Justin Bibier está cansado do assédio de fãs?

Ok.

E falar o que pra esse povo?

Quando eu era adolescente gostava no CBJR e do CPM 22 (ok, assumo meu lado emo). Adorava as músicas e a forma como elas pareciam ter sido escritas para mim (afinal, eu era adolescente), mas agora as coisas sinceramente me assustam. Eu não apenas gostava disso, vale ressaltar, mas ouvia Legião, Paralamas, Capital dentre outras e some-se a isso a MPB. (Fato: eu era uma adolescente estranha que ouvia os cd´s de minha mãe.)
Mas agora quando eu vejo cantores de happy rock (?!?) e guris com cara de menina (como diz o Felipe Neto), eu me pergunto onde vamos chegar. O que será da geração internet com baixa tolerancia a frustação e adeptos a modinhas sem fundamento? Não posso desconsiderar que adolescentes precisam de certas coisas pra se desenvolver e moldar suas lentes sobre o mundo, mas eu tenho medo do futuro. Ninguém pode negar.

E no fim, antes de levantar e me forçar a sair, eu encontro noticias que me aliviam a alma. Casamento de pinguins é uma atração muito melhor do que gostar de um carinha de cabelo liso que canta uma música chiclete ou de uns guris com calça fluor.

Eu sei, gosto não se discute, mas eu gostava muito mais dos adolescentes dos anos 90.

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

desejos com um quê de subversão.


- não ter compromissos sabadinos
- brincar com a dinda até umas horas
- passar uma tarde boa com o noivo-rido
- rir de boagens com a irmã mais velha
- abraçar minha velha e boa mãe

...e depois de um quê de subversão:

- usar palavras de baixo escalão para extravasar emoções genuínas
- explodir, pura e simplesmente
- não ligar para o ideal de mocinha comportada
- desligar-me de certos assuntos denominados "compromissos"

e no fim do dia, após uma ou duas roskas, tomar um banho de chuva para lavar a alma e acalentar meu pobre coração sensivelmente maltratado.

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

a escrita soterrada.



hoje perdi o prazo de um concurso de literatura que eu sonhava em participar e me dou conta a cada dia mais que uma mania - que antes era estatégia de enfrentamento e se tornou uma bela companhia - está se soterrando em mim diante do mundo confuso que eu me defronto quando o mundo interno já não é o único caótico. diferente do que achava quando sentava na minha janela há mais de dez anos buscando nas linhas escritas uma série de respostas que ninguém se preocupou em me fornecer.

o fato de eu ser cada vez mais adulta agora, me faz deixar de esperar as respostas que os outros deveriam me dar - independente de me fornecerem ou não na realidade - porque eu entendo que agora as respostas são minhas, mesmo que elas sejam repletas de tantas vozes alheias que existirem em mim.

o fato de sentir minha escrita enterrada entre os prazos, as contas, os módulos da pós, os livros (que eu devo, mas não leio), os pacientes e um mundo meio novo meio já conhecido, me faz questionar mais algumas milhões de certezas que se tornam - sabiamente - incertezas.

refúgio já não me é mais possível, mas eu me pergunto:

para onde vai minha escrita que nasceu diante de uma pesada sensação e hoje, se configura como uma possibilidade de me encontrar cada vez mais, em mim?

(fato: convivo cada vez melhor com as dúvidas)

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

minha aquarela.




outro dia conversava com o noivo-rido sobre meu desejo de saber desenhar.
(antes de tudo é preciso dizer que minha lista de desejos é muito maior do que o meu e o tempo necessário para realizar tudo seria preciso dividir em muitas vidas. de qualquer forma, isso nunca me foi um defeito. na verdade, minha curiosidade sobre tudo sempre me foi curiosamente satisfatória porque para a minha singela pessoa não faz sentido vir ao mundo seguindo um fluxo tranquilo sem saber, sem buscar e sem catar por aí tudo o que se tem pra ver).
assim, entre milhões de desejos e projetos, fica a vontade de desenhar. porque em muitos momentos, a vontade mesmo é de se munir com lápis, tinta e papéis e colocar na folha o que palavras não sabem colocar para fora.
curiosamente naqueles momentos em que é dificil julgar o sentimento que se sente e distinguir o que se encaixa em cada sentir, uma folha bem grande com rabiscos e figuras bem desenhadas me parecem dignamente mais perfeitos para traduzir o que eu ainda não.



imagens: odosketch

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

a extraordinária eventualidade do ser.

é incrível (e curioso) perceber
que por mais doloroso (e necessário) que seja,
a grandeza de um (entre tantos) eventos extraordinários
está bem ali
na imagem refletida
em um espelho qualquer.

foto.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

sobre tudo isso... e mais um pouco.


são tantas perguntas
tantos porques
tantos e tantos e tantos e tantos

que tudo, temporariamente, parou no tanto.

agora
busquemos o ato,
para menos tanto.

foto: sabino.

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

semana em alfa.


virose é moda na Bahia.

ou seja, se vc sente qualquer coisa (dor de cabeça, enjoo, febre, dor de garganta, dor no corpo, entre outras) e vai em uma emergência, vai ouvir:

- é virose, não tem remédio, tem que ficar em casa descansando.

ok.

mas e faz o que com o resto da vida?

sábado, 11 de setembro de 2010

sobre o rio e o céu, sobre perguntas.


e se ela fosse olhar bem fundo, veria no fundo do rio, a imensidão do céu azul. um céu cheio de nuvens que lembram formas, que lembram bichos, que lembram infância, que lembram a vida, que lembram um tudo, que lembram e lembram cada vez mais, sem parar.
e se ela fosse olhar bem fundo, entenderia que não são as respostas, é preciso achar as perguntas escondidas por aí, no fundo de um rio cristalino ou num céu anuviado de imagens de si.

sábado, 4 de setembro de 2010

hoje não, obrigada!



algum dia alguém poderia me perguntar: "você faria tal coisa?" minha resposta seria, evidentemente, não. eu não viajo na estrada à noite, eu não participo de role playing (para quem não sabe, nesse caso, nada mais é do que uma pequena atividade de simulação. pessoas atuam em uma situação que simula a realidade), eu não danço em festas, eu não tenho cara de pau, eu não, eu não, eu não.
ando revendo todos os meus conceitos. desde que entrei na causa da ABACC que já falei aqui, estou cada dia mais cara de pau, quinta-feira participei de um role playing na minha formação clínica, ontem à noite viagem pela estrada, danço em festas, danço tanto que as pernas doem.
em resumo: ando pagando minha língua.
lembro instataneamente daquele velho ditado "nunca se sabe o dia de amanhã"
eu era (mais) tímida; na segunda série perdia um trabalho, mas não falava na frente da turma; sempre quis ser muito discreta; escondia o que eu escrevia; lutava com todas as forças para passar despercebida (mesmo com quase dois metros de altura), entre tantas outras coisas.
nesse momento, lembro de Darwin e tudo que aprendi sobre evolução, espécies e todo aquele blablabla biológico. além disso, aprendi mais sobre cultura, psicologia e gente (esses bichos meio estranhos) mais do que sabia. e por isso, além do Darwin, agradeço a Freud (tenho que me render, mesmo não simpatizando com ele), Jung e toda a galera da sistêmica Minuchin, Cecchin, Watzlawick, Michael White, Marilene Grandesso entre outros.
No meu clube da vida existem muitos deles a me formar. Além, claro, das queridas pessoas do meu cotidiano.
E então as vezes eu me espanto e olho para trás. Mas preciso me corrigir: Agora a idéia é olhar para frente. E, por isso, quando alguém perguntar "você faria tal coisa?". Eu, alegremente, responderei (se for o caso): "hoje não, obrigada!"

sobre o mundo.

sinceramente?

as vezes me espanto com certas coisas do mundo.

como essa!

a pessoa tem no rosto toda a carência do mundo e os olhinhos pedem um abraço!

e nesses anos de pós-modernidade, o que mais está por vir?

terça-feira, 31 de agosto de 2010

do amor.


E mesmo quando os olhos pesam de lágrimas

e os sorrisos me escapam por suas rotas de fugas,

o amor me embala com calma e aconchega minha dor.

O amor me sorri e garante.

- Tudo ao seu tempo, moça.



foto.

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

a beleza sofrida.


foto: g1

ela e o mar.


e então ela,
sentindo o gosto pesaroso do sal que sufocava seus pulmões em meio ao mar revolto,
se permitia momentos de calma tranquilidade
enquanto sentia o corpo sendo levado
boiando em meio ao turbilhão.

sábado, 21 de agosto de 2010

a solidão repleta dos seus.


Cercadas por todos e tão sozinha.
Rodeada de pessoas e só.
Repleta de sujeitos ao seu redor,
mas completamente distante.

Sua única e real companhia
se exprimia pelas diversas vozes vivas no seu cérebro.

Cercada de pessoas,
acompanhada unicamente pelos seus.

quarta-feira, 18 de agosto de 2010


enquanto sentia a chuva caindo no corpo, seus pés seguiam fora de rumo. no peito ardia um rumo certo, nas mãos acomodavam-se um mundo e nas pernas, uma calma desconhecida e nova em folha. de certo, as gotas simbolizavam tudo o que elas queriam simbolizar. de certo, os pés, o peito, as mãos e as pernas eram parte de um mundo que ela era. assim, de fato, tal dia desses ela descobriria. mas por um momento, apenas desejava que a chuva lavasse e os pés seguissem - sem querer encontrar, sem caminhos a desbravar.

foto.

terça-feira, 17 de agosto de 2010