quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

história da vida.


ando achando tudo um pouco confuso. como um livro descosturado em que as páginas voaram com o vento e uma alma caridosa busca reordenar. mas, invariavelmente, pelo número de folhas, a organização não cai bem e páginas desordenadas se unem por um lapso de linearidade.
é verdade, nem sempre deveria ser 100% correto e quadrado, mas por hora, me engrandeceria um bom humor cotidiano e simples, sem falsas promessas ou sonhos demais. eu não sonho demais, acredito. minhas mil e uma vontades são reflexo do que eu sou e não excesso de mim.
nessa busca frenética por encontrar as páginas certas, minhas vistas se distraem do mundo e quando olho em volta, mais um dia se foi.
não seria apenas um mero devaneio imaginar como seria o mundo se o meu mundo fosse de outra forma, mas seria utópico viver a esperar que esse mundo se realizasse. no meu mundo torto e banguela, falta uma série de conteúdos, como aquelas palavras que o editor cortou por achar desnecessário, mas que, no momento em que foram escritas, eram essenciais. entretanto, a escrita não volta e não existe presente no passado.
o melhor não seria exatamente procurar as páginas que voaram com o vento e se deixam levar pela brisa, mas sim escrever novos registros e alimentar outras linhas. reconstruir seria a opção correta, realinhar não se mostra ineficaz.
nesses dias de caos no mundo, o meu mundo caótico por consequência aguarda com fé um sossego da vida.
no passaporte, ainda não carimbaram minha passagem de volta, mas me desejo um voo tranquilo, rumo a novos ares.
queria mesmo deixar as páginas voarem livres e escrever uma nova história, mas o dia esmoreceu e a noite se espalha. e na confusão da vida, ainda receio os novos enredos.

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

coisas da vida.


a vida tem dessas. tem tantas outras. tem milhões.
a vida tem tudo e tem a mim.
a vida tem dessas e eu vou vivendo.

a vida tem essa paz e eu vou encontrando.
não é fácil, eu sei. mas nada é tão fácil assim...

a vida tem dessas, tantas, milhões
e eu aqui tenho também.

tenho um tudo.
quero encontrar a (minha) paz.

foto.

sábado, 15 de janeiro de 2011

chuvas.

ainda me assusto ao perceber o quanto o Rio sofre com as chuvas. ando meio covarde e por isso não vejo as notícias, apenas torço para que, logo, tudo isso termine. acredito que é redundante reclamar do descaso dos responsáveis que só olham para certos problemas quando eles desabam levando centenas de vidas.
mas ontem, enquanto via as fotos do G1, uma em especial, marcou meu dia.



é impossível não sentir o corpo arrepiar com essa imagem e assim, eu percebo o quanto real é a dor dos que estão lá, na chuva, sem casa, com a dor de perder tanto e com falta de um tudo.
e a chuva que leva é também a que deixa um mar de lama, dor, perda e sofrimento.

mas, como boa pollyana que sou, destaco os que correm para socorrer os que sofrem e os que se debruçam sobre a dor para acalentar corações maltratados. tenho profundo respeito por estes.

rezem pelo Rio.

sábado, 8 de janeiro de 2011

sobre essa coisa chamada ano novo.

ainda irão provar cientificamente a energia cósmica transmutada entre um ano e outro. existe um quê de começar de novo, refazer, novos planos, outros rumos. existe uma sensação de possibilidade.
[e existem os que não se permitem sentir essa energia.]

na verdade, acho que explicam esse acontecimento. o que move um novo ano é a bela capacidade do ser humano em acreditar: acreditar que é possível, com toda a certeza, realizar o diverso e não apenas o que existe.

2011 realmente ainda me assusta, pois é novinho em folha, mas existe aquela fé inabalável que me move e me faz crer que sempre é tempo.

[no início, no fim, ou no meio de um ano qualquer.]

foto.

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Ano novo.




2010 ficou para trás e com ele, aquela sensação incrível de dever cumprido e alma limpa. não foi um ano fácil, admito, mas eu não me recordo de ter vivido anos fáceis nos últimos tempos. olho para trás satisfeita por perceber que atingi grandes metas e me gela a barriga imaginar o que 2011 me reserva.
2010 foi aquela coisa "ó, minha filha, escuta aqui, agora ou vai ou racha", assim mudei de casa, cuidei mais de mim, mudei minhas safenas, mudei minha casca, mudei a mim mesma, mudei status de relacionamento, mudei minhas verdades e minha forma de ver o mundo, mudei minha figura, mudei meu sorriso, mudei um tudo e no fim, mudei meu mundo.
encarei grandes desafios e descobri que eles não são tão grandes assim, percebi coisas que nunca saberia se alguns não me gritassem na cara, percebia que perfeição é utopia insignificante e iniciei aquele processo em entender e aceitar o valor das pequenas mudanças internas.
olhando para trás e percebendo tudo de 2010 é compreensível que tenha medo do 11, mas, como sempre, vou andando, dando a cara pra bater e tocando o barco. afinal, sou em essencia um ser que acredita que novos ventos trazem boas novas.

vem com fé, 2011!

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

sobre o que ficou saudade.


Soube agora a pouco que uma grande e queridíssima professora faleceu. Seu nome era Mercedes Carvalho e ela foi uma das pioneiras da psicologia baiana. Dona de uma personalidade forte e destemida, me ensinou muito sobre coisas do mundo psi e de outros tantos.

O sentimento que nutria por ela era de completa admiração do ser humano. Durante um ano e meio freqüentamos o Nordeste de Amaralina para ensinar idosas através do método Paulo Freire. Eu adorava esse projeto e ela também. Aos 70 e tantos anos, não se intimidava quando os conflitos entre traficantes e policia estava mais acentuado. Dizia simplesmente que não tinha medo da morte.

Por baixo daquela mulher às vezes rígida existia um ser humano no melhor sentido da palavra. Sempre respeitei o poço de conhecimento que ela era e adorava quando ela me chama de “Marilhinha”. Adorava suas histórias sobre sua longa vida e detestava o behaviorismo. Ela sabia daquilo, ela era amante declarada de Skinner, mas respeitávamos nossas diferenças. Aos poucos, descobri a sistêmica, com sorte, nunca perdi Mercedes na minha vida.

No meu último semestre, Mercedes foi desrespeitosamente demitida da Faculdade Ruy Barbosa e comigo, levei a decepção de uma faculdade que zelava pelo clima “familiar”. Éramos poucos no turno matutino, apenas a Psicologia e o Direito e este era um dos motivos de eu adorar a Ruy. Os professores eram os melhores e Mercedes ocupava um local de quase coordenadora. Com ela eu me sentia a vontade para deixar clara minhas opiniões sobre tudo e aprendi tanto e tanto que a destaco como minha professora mais importante nos meus 5 anos de graduação.

No ano que vem teríamos sua aula na pós-graduação, estava ansiando para reencontrá-la já que um ou dois momentos que programei com outros colegas do estágio do Nordeste para visitá-la, não se concretizaram. Ainda não sei o que houve com ela, mas como estou no interior, não poderei ir para seu enterro.

O adeus a Mercedes Carvalho hoje é um exemplo claro daqueles momentos em que nos sentimos tristes por não ter feito algo, por não ter dito algo. A última vez que a vi foi na minha formatura, quase dois anos atrás. Tenho fotos com ela e uma delas é um abraço lindo. Logo depois da formatura, lhe mandei uma carta com minha foto e um bilhete, não me recordo mais o que escrevi, mas estava lhe agradecendo por tudo. Por tudo que fez e pelo quanto acreditou em mim.

Não era fã de Skinner, nunca entendia bem reforço negativo ou certos pontos behaviorista, mas era uma fã declarada da professora Mercedes. Sempre a levarei comigo, como uma das figuras pioneiras da psicologia e muito mais, como uma das figuras importantes em minha vida. Nunca esquecerei nossas aventuras no Nordeste, nossas supervisões, seu amor pelas velhinhas, seu amor pela psicologia e por seus alunos.

Ainda me divirto hoje ao recordar suas discussões sobre Behaviorismo com Drica enquanto as aulas não começavam, ainda lembro do seu rosto bonito e do seu sorriso caloroso. Mas, hoje, ao saber da notícia, sinto falta daqueles abraços gostosos que nunca mais receberei e que com certeza, sentirei falta para todo o sempre. Adeus, professora.

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

clarice (de novo).


" a vida é igual
em toda a
parte
e o que é
necessário
é a gente
ser a
gente"

[2011 é o ano do auto-encontro - encontro (en-con-tro) s. m. Ato ou efeito de encontrar. Casual posição face a face com uma pessoa ou coisa. Colisão de dois corpos: encontro de veículos. Combate imprevisto entre duas tropas em marcha. Competição esportiva. Luta. Duelo. Confluência de rios. Achado. Ponto de articulação das asas das aves com o rádio e o cúbito. Encontro de contas, acerto. loc. prep. Ao encontro de, à procura de, a favor de. loc. prep. De encontro a, contra, em oposição a.]