terça-feira, 6 de setembro de 2011

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Home, sweet home.

E a gente que pensava que para amar, bastava muito mais que um tropeço de olhares e um roçar de lábios ávidos... 
E a gente que sonhava com cavalos brancos, castelos, poesias e insensatos rompantes corrompidos, ausentes de razão... 
Distraídos, caimos em outros caminhos enquanto os gatos do destino se entrelaçavam em nossas pernas e as teias de aranha, produzidas pelos vazios ensimesmados, se iam com a brisa leve da paixão. A queda - de um tanto longa - nos levou a um lugar incomum e escondido, repleto de lírios brancos e outros cantos recheados de pequenas margaridas. 
De fato, no momento em que encontrei seus olhos, eles pareciam - de forma súbita - tão preenchidos de mim que o ar me escapuliu dos meus distraídos pulmões que ansiaram poder respirar teu hálito quente uma vez para todo o sempre, amém. 
E a gente que esperava grandes balões voando no céu e promessas de "felizes para sempre", caímos em um riso manso, num gostar tranquilo e convulsivo que, trôpego, corria em direção um ao outro, deixando de lado a razão, os cisnes, as fadas e a fantasia. 
E a gente que esperava um grande pôr do sol e um casamento glorioso, nos demos as mãos e saímos a caminhar num mundo nosso, com cores que apenas você e eu saberiamos nomear. 
E a gente que pensava num mundo novo, olhamos para tudo e sorrimos sozinhos enquanto meus lábios desenhavam minha vida nos teus, enquanto meu coração se acomodava, manso, em ti, certo de que finalmente encontrara o nosso lar, doce lar. 


foto: Once Wed.

domingo, 14 de agosto de 2011

O velho e o moço (de mim)


(enquanto ela não podia ver o mar, levei o mar para ela) 
*
Ora, se não sou eu
Quem mais vai decidir
O que é bom pra mim?
Dispenso a previsão!
Ah, se o que eu sou
É também o que eu escolhi ser
Aceito a condição
Vou levando assim
Que o acaso é amigo
Do meu coração
Quando fala comigo,
Quando eu sei ouvir...
(O velho e o moço - Los Hermanos)
*
Existem certos encontros na vida que por um bobo receio tentamos desviar. Existem momentos que a certeza do terminar nos impede de fugir no primeiro voo para longe. Assim foi o meu destino nessa sexta-sabado. Os olhos turvos não representam em si o todo, meu completo recordar me atualiza de mim e diz: "é tempo de futuro, mulher". Quero a paz da minha cadeira, as raizes e folhas da minha arvore e a minha vida que eu escrevo quando me olho em mim e me permito cair em queda livre no abismo que magoa e, ao mesmo tempo, reconstroi. Um brinde ao que fazemos de nós a cada dia e aos sonhos que construimos ao ajudar (também) a reconstruir a dor do outro. 

domingo, 7 de agosto de 2011

Reflexos de domingo.


Little darling
The smiles returning to the faces
Little darling
It seems like years since it's been here
Here comes the sun
Here comes the sun
And I say
It's all right


Com sorte, o sol que brilhava em sua varanda permaneceria, aquecendo suas roupas no varal, retirando o cheiro de chuva da casa, levando com ele uma gama de sutis distrações semanais e desesperadamente não esperadas.
Em razão das bençãos dos deuses, haveriam roupas a lavar, almoço a preparar e visitas a fazer. Quem sabe até uma pitada de sossego e uma generosa fatia de bolo de chocolate. Ela ainda não sabia.
E enquanto o olhava dormir, apenas agradecia em silêncio. Com sorte, a sorte de viver ao seu lado se prolongaria, mesmo depois que o sol se despedisse, mesmo depois que as rugas tomasse os cantos distraídos do seu rosto. 

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Faz algum tempo, ja nem me recordo quanto. Meus olhos se desviavam do obvio e o mundo se configurava um tanto quanto excessivamente turvo. Faz algum tempo e a miopia se abandonou de mim, mas restou aquele vago sentimento tropego de luta vencida e derrota eminente. Sábios os que sabem reconhecer o fim de uma guerra, cotidianamente outras tantas precisam continuar e enquanto o quebra-cabeça derrete aos poucos, fecho os olhos e peço um pouco de mim. Estou cansada de guerras em tempos tao repletos de assombros.

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Copo meio cheio.

Prefiro olhar para o meio cheio e tentar deixar de lado o meio vazio. o/


sexta-feira, 29 de julho de 2011

.

Faz tempo que não tenho a sensação de ter sido nocauteada pela vida. E eu que pensava que nunca mais...

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Reflexo(s).



Vez ou outra,
invariavelmente,
imagem e reflexo se confundem
talvez não por mera transparência.

(dias sem tempo de olhar no espelho, procurar bem fundo, escrever ou entregar-se ao tédio... saudade indecisa se sim ou não. seguimos...)



Foto.

domingo, 24 de julho de 2011

Os bons morrem jovens...

Depois de todo o movimento espetacular por conta da morte de Amy, encontrei alguns comentários questionando esse alvoroço que se faz quando um famoso morre. Não me esqueço de Michael Jackson.
Então estava lembrando das minhas aulas sobre literatura brasileira, especialmente sobre o Romantismo. Foi um período de grande subjetividade e marcado pela morte dos poetas por conta da tuberculose. Castro Alves, Álvares de Azevedo e Casimiro de Abreu são exemplos clássicos desta epoca e deste "fim". Não me recordo se eram sobre eles, mas a grande discussão nestas aulas era que a forma como eles viviam, levaram o desenvolvimento da doença. Eram boemios, gostavam de retratar o sofrimento humano e pareciam não se encaixar na "sociedade comum". De posse de toda a sinceridade: a morte deles foi uma surpresa? 
Ontem estavam coversando com meu primo torto e ele me falou sobre os músicos que morreram aos 27 anos. Não que eu seja uma abrute comemorando as mortes alheias, mas criei uma singela teoria (que não foi cientificamente comprovada e que não sei se alguém já inventou também) que algumas pessoas consideradas portadoras de doenças mentais são donas de uma inteligência marcante e não se adaptam ao mundo. 
No caso de cantores e poetas, eles possuem uma forma fantástica de ver e viver o mundo e muitas vezes se deixam consumir por conta dessa vivência "no talo". Amy Winehouse é a bola da vez. Uma mulher fantástica, com uma voz linda e uma trajetória marcada por drogas e confusões. 
As vezes acho que certas pessoas com passagens meteóricas pelo mundo deixam legados dignos de sábios centenários e partem, simplesmente por não conseguir encontrar-se, por não conseguir se ver fazendo parte dessa sociedade dita "liberal", mas que massacra e julga com perseguições sensacionalustas os não adaptados ao grande sistema. É um fato: ao mesmo tempo que a mídia os transforma em reis por sua arte, os enquandram como anormais por suas condutas. 
Descanse em paz, Amy. 

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Salve, Jorge!

Jorge sentou praça na cavalaria
e eu estou feliz porque eu também sou da sua companhia

Eu estou vestido com as roupas e as armas de Jorge
Para que meus inimigos tenham pés e não me alcancem
Para que meus inimigos tenham mãos e não me toquem
Para que meus inimigos tenham olhos e não me vejam
E nem mesmo em pensamento
eles possam ter para me fazeram mal


Para aqueles dias que o meu silêncio fala mais do que minhas palavras, me calo no singelo aconchego de apenas um sentimento: há de se saber compreender o rumo dos dias. Porque mesmo aquelas criaturas mais fortalecidas (como se usassem as roupas e as armas de jorge), encontram o seu dia de descanso.

quarta-feira, 20 de julho de 2011

20 de julho.

Meio esquisito esse troço de ter um dia dedicado a amizade, não? Mais esquisito ainda seria se eu usasse aquele velho ditado "mas dia do amigo é todo dia!". Dias comemorativos são como aqueles trechos grifados em um texto bem escrito, sabemos que existe, mas tem algom, dentro do todo, que merece um pouco mais de atenção. Então, neste dia, enquanto ainda me recupero da minha dengue, me peguei pensando sobre tal dia.
Hoje pensei muito sobre as amizades que foram, as que estão, as que ficam mesmo com os anos, as que por diversos motivos não vingaram, enfim... sente a vibe "tunel do tempo melancolico"? Pois é, as vezes acontece nas melhores familiares. Mas é meio bobo dizer isso em voz alta (ou em texto expresso, neste caso) mas, para todos aqueles que são, foram ou serão, de alguma forma, marcantes em minha vida, feliz dia do amigo. Para quem acha tudo isso bobagem, feliz dia do amigo e pra quem nem sabia que hoje era esse dia, feliz dia do amigo. Enfim, ultimamente tenho entendido uma coisa, dentre muitas: não se importar muito o que será, vamos aproveitar o que se tem. Por isso, coletivamente e individualmente desejo um abraço apertado a todos os meus queridos. Obrigada pela existência! Ter vocês é bom demais!

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Dengue ou Dengo: eis a questão!

Dengue é a enfermidade causada pelo vírus da dengue, um arbovírus da família Flaviviridae, gênero Flavivírus, que inclui quatro tipos imunológicos: DEN-1, DEN-2, DEN-3 e DEN-4.[1] A infecção por um deles dá proteção permanente para o mesmo sorotipo e imunidade parcial e temporária contra os outros três.

Dengo
Classificação morfossintática:
- [dengo] substantivo masc singular .
Sinônimos: mimo .

Dengo soa muito melhor, né? 

Infelizmente a dengue foi mais rápida no gatilho!
 

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Das coisas mais.

E você vivia pensando naquelas tediosas obrigações adultas, contas a pagar, horários a cumprir, clientes, salário, chefes, estresse, transito. E você vivia exausto daquele dia-a-dia comum e violentamente rápido em que as folhas de calendário se consumiam tanto quanto seus pés doloridos. Pois é, você vivia pensando ser adulto, com aquele olhar de sabe tudo e o nariz empinado de um quase-expert-do-mundo-todo.
Não, não me atrai. E eis que surge um fim de semana, umas madrugadas a dentro, barrigas contorcidas de risadas e um carinho evidente. Amor é o nome, cheio de recheio. E entre o soprar de velinhas, o bolo de paçoca e um ou outro beijinho, você sorri e o mundo se transforma. Danem-se os outros, o que importa é isso aqui. Meu universo particular, meu mais.
E por fim, no fim do fim realmente, a gente entende que amor bom é aquele que nasce devagarzinho e vem, com cautela, pedindo licença, sem surtos. O amor vem e se aconchega e você o abraça, sorri. Ele adentra o seu universo e fica mais velhinho, mais carinhoso, mais, muito mais.

segunda-feira, 4 de julho de 2011

É amor!

E voce pensou que o amor nao era capaz de modificar tudo?
Curiosamente ele bateu em sua porta e sorriu, mesmo com o mau tempo e a previsao de tempestades! Voce sorriu e o recebeu bem, sem saber exatamente quem ele era, serviu um café com sequilhos e se sentou, conversando amenidades. Pois e, é amor e voce sorriu. Mas ele se foi e voce ficou. Curiosamente algo se modificou e, de certa forma, ele tambem ficou com voce. E riu, em tom de deboche, enquanto voce fingia ainda nao acreditar.

domingo, 3 de julho de 2011

Bahea!

Todos os programados, se desprogamam por mero acaso. E eu vou levando. Internet fora do ar, mil aquisições, momentos inusitados e um tempo meio chuvoso, meio ensolarado. Feriado tem um quê de tempo longo, principalmente quando você se acostuma e sábado se torna sinônimo de trabalho. Um viva a independência. Viva a(o) Bahêa!

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Do coração pequenino.


Imagine quatro horas filtrando um sangue para continuar vivendo. Imaginou? Imagine receber a notícia de que o seu rim parou de funcionar e você precisa de dialise. Imaginou? Agora imagine que suas veias não suportem mais a hemodialise e você precise de um transplante renal ou então... Você sabe o que acontece. Por fim, imagine que, após o transplante, o rim que você recebeu não funcione e você volte para a hemodialise. Imaginou? Pois é, para aproximandamente 50 mil brasileiros está é uma realidade e não apenas imaginação. 
Quatro horas em uma máquina, três vezes por semana, dieta restrita, ingestão controlada de liquido, mil riscos e um punhado de limitações. Sem falar nas marcas causadas por cateteres, fistula, tombros, e tudo o que envolve a imagem corporal. Some a isso a restrição de atividades laborais, as mudanças sociais, as doenças associadas e por aí vai. Para aproximadamente 50 mil brasileiros está é uma realidade. 
Uma realidade difícil, é um fato. E todos os dias, trabalhar com esses seres humanos me desperta para milhões de novos questionamentos. 
Porque eu estou falando disso? Porque não é fácil viver essa realidade mesmo quando você está "protegido" por um jaleco. Quando você trabalha há dois anos com os mesmos pacientes, conhece as historias deles e constroem um vinculo, é difícil pensar em perdê-los. E aceito, a morte faz parte da vida. Mas não deixa de ser difícil. Porque, acredite, não é fácil. 
Por outro lado, como disse outro dia, não há salário que pague um sorriso, um abraço, um alento, um alívio, um encontro... Não há dinheiro no mundo que pague todas as boas energias que recebi dos meus pacientes,  muito menos a satisfação de desempenhar bem o meu trabalho, compartilhando todo esse cotidiano difícil. 
Não se espante, quando se entra em uma sala de hemodiálise não se encontra apenas a gravidade e a cronicidade de um adoecer, também se encontra os sorrisos, as brincadeiras, as conversas, as trocas e a alegria por estar vivo. 
Ser renal crônico não é simples, não é fácil e em determinados períodos vivenciar essa realidade dos pacientes se torna ainda mais duro, o coração fica pequenino. Porque alguns logo partem. E aqui na Terra, ficam seus sorrisos e a graciosidade em superar os mais dificeis desafios. 

domingo, 26 de junho de 2011

Todo são joão tem seu fim...


Como costumo dizer, essa - sem dúvida - é a melhor epoca do ano. E não porque eu sou do interior e tenho casa, comida e roupa lavada em uma das melhores cidades para curtir o são joão, mas porque - sem sombra de duvidas - tenho os melhores momentos juninos que poderia imaginar. Porque tudo começa e termina na minha varanda, todo licor de chocolate é permitido mesmo com tratamento, todos os comentários são válidos e as pessoas desfilam na festa buscando identidade, logo... o que sobra para nós? reconhecê-los enquanto seres humanos!
Nesse momento, as BRs ainda estão lotadas e as pessoas odeiam o fato do são joão ter chegado ao fim, mas tudo que é bom um dia acaba. E se a gente aprende que insistir em algo que já terminou é surreal, entende também que chega uma hora que as fogueiras têm que se apagar, as bandeirolas param de sacudir e as melhores delícias da culinaria junina terminam. O melhor é saber que ano que vem tem mais! E enquanto o feriadão não volta, fico aqui contando minhas gargalhadas, com saudades das minhas melhores companhias, dos comentários, das diversões, das delícias e do bom humos junino.
E no fim a gente entende que não importa a pista ou o camarote do arraía do cerveja, não importa de que ponto vimos Jau, ou cifras, meu bem. No fim, o que vale é o valor das gargalhadas, das brincadeiras com "traque" e dos meus melhores companheiros (alguns que, assim como o são joão, deixam saudade quando eu volto para a capital).
São João 2012 tem mais.

domingo, 19 de junho de 2011

Contagem regressiva.


Como não só de amor vive a humanidade, inicio minhas homenagens a melhor epóca do ano. São João para as minhocas do interior é como o Carnaval para os soterapolitanos. Logo, meu ano só começa em Julho!

sexta-feira, 17 de junho de 2011

All my loving... para esquentar a sexta feira.

Close your eyes and I'll kiss you
Tomorrow I'll miss you
Remember I'll always be true
And then while I'm away
I'll write home everyday
And I'll send all my loving to you

terça-feira, 14 de junho de 2011

Não sou um livro de auto ajuda barato.

As vezes acho que tenho imagem de "livro barato de auto-ajuda". Explico: eu insisto em dizer "coloque-se no lugar dos outros", "pense na sua parcela de responsabilidade", "faça o bem" e por aí vai. Então? Não parece simples? Não. Não é.
E quando recordo os cinco anos de graduação, quase dois de pós-graduação, dois de formação clinica, livros, seminarios, palestras, cursos, supervisao e tudo o mais que me aconteceu até a presente data, eu não me confundo:. Não sou um livro barato de auto-ajuda. Fato: odeio que me rotulem. Por isso insisto: psicologo não bate papo, não dá conselhos, não tem todas as respostas, não mantem a calma sempre, não está sempre do lado do paciente e decididamente: nós não trabalhamos pouco. Claro que levando em conta o contexto hospitalar (no qual trabalho), não examino, troco curativo, prescrevo, decido conduta, ou qualquer ação de qualquer profissional de saúde, mas me irrito profundamente com quem diz: você trabalha pouco. Fato: nós não trabalhamos pouco. E porque isso me incomoda? Porque é recorrente e chato. Qual minha parcela de culpa nisso enquanto profissional? Tenho o dever de informar melhor às pessoas sobre o meu trabalho e sim, concordo, tudo isso é muito da falta de informação. Mas, particularmente imagine o que é ouvir as maiores dores das pessoas, dar suporte, acolher a dor, acompanhá-las para se despedir de um parente que faleceu, ouvir, ouvir, ouvir, falar, falar, falar. Não, não reclamo, amo o que eu faço. Mas o meu trabalho é subjetivo e não estou aqui para concorrer por quem se desgasta mais.
E as vezes, quando me recordo que não sou um livro de auto ajuda barato questiono: será que é por falta ou por excesso que percebem sua presença? Atualmente, prefiro pecar pelo excesso. Enquanto isso, repito: "coloque-se no lugar dos outros", "pense na sua parcela de responsabilidade", "faça o bem". Muito melhor do que desamor. Não? 
(Há de haver os que insistem nos rotulos. Paciência. Psicologo também não convence ninguém de nada. Sabia?)